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AUTOCONHECIMENTO

23-01-2020 - Anussim Brasil

"Iria sozinha, sem amigos ou familiares, pois era um projeto pessoal".

Eu gosto muito dos sons cotidianos, músicas, podcasts, TV, pessoas conversando, o som dos pássaros no meu quintal e até o conversar dos gatos, que entre mios e assopros nos impõe suas vontades. Mas gosto também do silêncio, quando meus pensamentos fluem melhor.
Hoje, em meu silêncio matinal me lembrei de uma amiga que fiz na Coréia, Sonja (pronuncia-se Sonia), canadense, simpaticíssima, me deu ótimas lições no meu aprendizado de inglês, no qual eu considerava à época, autodidata, e hoje percebo que sempre temos a ajuda de alguém.

Conhecemo-nos nas aulas de pintura coreana, um curso que acabava por ser unânime, pois era no Clube dos estrangeiros, onde tinha a comunicação mais fácil e a comida mais agradável aos ocidentais. Pra mim as aulas das sextas à tarde eram imperdíveis, aprendi a pintar, a me comunicar em inglês em todos os sotaques, melhorei meu espanhol e aprendi muito sobre o mundo naquele microcosmo de todas as línguas.

Sonja como muitas era uma pessoa de mais idade, não muito ativa fisicamente, mas conversando com outras mulheres numa daquelas sextas feiras, decidiu-se por percorrer o caminho de Santiago de Compostela que começa em diferentes pontos da Europa e converge para a cidade de Compostela na Espanha. É uma das rotas de turismo mais longa e antiga do mundo. Muitos peregrinos passam por ela com motivações das mais diversas, seja religiosa, por penitência e/ou autoconhecimento.

Lembro-me de não vê-la mais nas aulas de pintura e depois, encontrá-la caminhando pelas ruas da cidade, foi quando eu soube de que estava condicionando seu corpo para enfrentar os vários meses em que se propunha caminhar, um passo de cada vez, para cumprir o destino escolhido. Iria sozinha, sem amigos ou familiares, pois era um projeto pessoal. Não tive mais oportunidade de conversar com ela depois da viagem, pois saímos da Coréia antes dela retornar.

Fico imaginando o autoconhecimento que ela adquiriu naqueles meses consigo mesma. Sabemos que não estava literalmente isolada, pois ela dividiu o caminho com milhares de outros peregrinos, e ela estava em ótima companhia, a dela mesma e a de Deus em todo o tempo. Pesquisando outros relatos de viajantes e peregrinos todos falam de um crescimento espiritual muito grande nessa jornada e o restabelecimento da fé, com pensamentos do tipo “Você não precisa explicar Deus, basta senti-lo”.

Uma viagem desta magnitude é um investimento poderosíssimo em você, independente do lugar pra onde você se destine.

Leandra Barbieri

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