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A Torah, a Kabbalah e Seus Níveis Interpretativos

25-01-2020 - Anussim Brasil

"Por isso, os exegetas judeus dizem que a Torah possui quatro níveis de entendimento e interpretação: literal, alegórico, metafísico e místico"

Quando estudamos os estágios iniciais de evolução da sociedade humana, a ignorância, a superstição e os costumes eram o que prevaleciam. As explicações sobre a vida, o mundo, os fenômenos etc., eram transmitidas pela tradição oral e pelos símbolos que era a linguagem do mundo antigo, do qual explicava os acontecimentos naturais e sobrenaturais com precisão poética e não científica. No entanto, embora houvesse muitas diferenças culturais entre os povos, os relatos dos mundos superiores e de seus habitantes eram notavelmente semelhantes, indicando que havia uma realidade objetiva que estava além da percepção dos sentidos. Com o advento da escrita, foram estabelecidos relatos detalhados da origem da Existência. Talvez o mais conhecido atualmente seja o livro de Bereshit (Gênesis). Embora tenha sido apresentado em forma de história, seus relatos  da Criação contém muitas ideias metafísicas ou “ocultas” no texto.                                                                                                                                         

 

Por isso, os exegetas judeus dizem que a Torah possui quatro níveis de entendimento e interpretação: literal, alegórico, metafísico e místico, que para os cabalistas correspondem aos mundos físico, psicológico, espiritual e divino. Ou seja, a Bíblia é uma mina de ouro de conhecimento esotérico e místico.

 

Dessa forma, esses níveis de interpretação são chamados de PaRDeS: um acrônimo formado a partir das primeiras letras dos quatro níveis de interpretação da Torah - Peshat, Remez, D’rash e Sod. A palavra PARDES significa "jardim" ou "pomar" em hebraico. Cada camada é mais profunda e mais intensa que a anterior, como as camadas de uma cebola. O termo PaRDeS foi cunhado por Moisés de Leon no século XVI,  que reconhece que todo aquele que estuda os textos sagrados  deve conhecer essas quatro abordagens para entender os reais ensinamentos e significados da Torah.

 

O método PaRDeS é dividido em:
P – Peshat:  é o significado claro, simples e direto do texto.  Geralmente traduzido incorretamente como literal, mas na verdade, Peshat expressa o significado pretendido e explícito do texto.
R – Remez: significa dica ou significado aludido (lendo nas entrelinhas). Expressa verdades filosóficas sobre o texto. Aqui o texto torna-se pessoal através das perguntas "como" e "o que".
D – D`rash ou Derash: significado interpretativo que não está explícito no texto, ou seja, é a história por trás do texto. São as perguntas do "porquê" e cada pergunta tem muitas respostas. A palavra 'midrash' vem da mesma raiz.
S – Sod: é o significado secreto, escondido ou místico do texto. Através de perguntas "como", e "qual" é o real plano do Criador para a humanidade.
Dessa forma, caro leitor, é onde entra a kabbalah, que nos convida a entender a consciência simbólica, espiritual, e a própria Existência por trás de Tudo e do Todo de uma maneira profunda e sutil, pois de acordo com muitas tradições espirituais, a humanidade já existia antes de sua manifestação física, onde os humanos caminhavam com os deuses (Elohim) em um estado de plenitude. Assim, na Kabbalah, o Paraíso é chamado de Casa do Tesouro das Almas, onde Adão e Eva, os arquétipos da humanidade, habitaram antes de sua queda na densidade da matéria, no mundo de Malchut onde agora habitamos, sendo este uma das 10 sefirot que compõem a Árvore da Vida, da qual falarei em futuros artigos.

 

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