11-02-2020 - Anussim Brasil
"Crianças criadas sem limites podendo fazer o que quiserem, são intrinsecamente inseguras e acabam por tornarem-se adultos inseguros que precisam ?gritar? mais alto que todos ao seu redor".
Temos por obrigação de amor criar os nossos filhos para que, ao se tornarem adultos, conquistem as suas posições na sociedade humana em que vivem. Quem pensa que nossos filhos são “nossos” se engana, pois ninguém “pertence” a ninguém. De forma subjetiva, pertencemos a uma família, a um bairro, a uma cidade, a um estado, a um país e, por fim, à humanidade, mas por termos cada um de nós o mesmo valor como seres humanos, jamais pertenceremos a qualquer outra pessoa. Da mesma forma com que quando no casamento, passaremos a pertencer à família que formamos com nosso cônjuge, do mesmo modo que nossos filhos também dela farão parte. No entanto, jamais pertenceremos ao cônjuge e nem nossos filhos nos pertencerão. Mas, além de sermos cada um de nós equivalentes a todos os outros por qual motivo, jamais seremos de alguém?
A posse de algo pressupõe determos o controle sobre o que possuímos. No entanto ao ser humano foi dado pelo Eterno, Bendito seja o Seu Santo Nome, o dom do livre arbítrio, que nos leva, a cada instante, avaliar se estamos nos sentindo bem na companhia de quem compartilhamos algo ou no local onde nos colocamos.
Qual é entanto, por qual razão nos deixamos à vontade, por décadas, casados com alguém? Ou no mesmo emprego? E ainda na mesma vizinhança? Só mesmo algo que para nós seja de maior valor do que a liberdade à qual temos direito, desde que nascemos: O sentimento que temos por aquele ou por aquilo, ou seja, trocamos a opção de exercer a nossa liberdade pela manutenção do sentimento que temos em nosso coração e que tanto nos é compensador. Lembramos que, o livre arbítrio que temos de partir é o mesmo que temos de ficar.
O amor conjugal nos leva ao convívio com alguém diferente de nós, mas a quem amamos e de quem, reciprocamente, temos o amor correspondido. Assim, o amor que sentimos sobrepuja em muito o natural anseio por liberdade. Já o amor paternal nos conduz a darmos o maior amor, a melhor educação e a mais relevante formação moral, a alguém a quem devemos por amor cuidar e educar, que são os nossos filhos, cujo anseio por liberdade os levará um dia para fora do ninho, assim que tenham condição de se sustentar, com dignidade.
Enquanto criamos os nossos filhos e enquanto eles forem nossos dependentes, não podemos ser amigos deles. Amigos sabemos que cada criança consegue às dúzias, na primeira esquina. Já pais, cada criança só têm dois, em todo o mundo. Assim, nessa fase da vida a função parental, por ser mais rara, é mais importante do que a função da amizade, mas muito mais. O que a criança mais precisa nessa fase é de pais os quais respeitem e que, junto a eles, se sintam seguros. Para sentir segurança, a criança precisa crescer com claros limites de comportamento e aprender a ouvir o NÃO de pais que o amem.
Crianças criadas sem limites podendo fazer o que quiserem, são intrinsecamente inseguras e acabam por tornarem-se adultos inseguros que precisam “gritar” mais alto que todos ao seu redor. Tornam-se adultos irascíveis, não aceitando ideias diferentes das suas, vindo de pessoas com quem convivem. Com tais pessoas, a relação acaba por ser muito desgastante, motivo pelo qual as outras pessoas tratam de se afastar deles, o mais rápido possível. Não percebem, mas ao rejeitarem o mundo na pessoa de quem rejeitam as opiniões, são rejeitados pelo mundo, na medida da sua própria rejeição. Acabam por tornarem-se amargos e solitários por serem rejeitados pelo mundo, sem avaliar que foram eles mesmos quem primeiro rejeitaram o mundo.
Já os filhos bem criados, ao tornarem-se adultos produtivos e autossuficientes, são eles mesmos quem escolhem ser amigos dos pais que os criaram com os limites que os continham no seio da família. Lembre-se que ninguém pode ser obrigado a ser amigo de ninguém. Quando um filho adulto escolhe ser amigo dos seus pais, está exercendo dom do livre arbítrio, elegendo-os seus amigos, apenas e tão somente pelo amor que sentem por eles.
Baruch Hashem! Vamos em frente! Vamos pra cima! O destino de cada membro do Povo do Livro é o sucesso.
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