27-04-2020 - Anussim Brasil
A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, dura em média de 2 a 7 anos.
Em tempos de pandemia, vamos relembrar uma doença que nos acompanha desde o início da humanidade e por ser desconhecida sua causa através dos tempos, foi tratada como maldição divina, afastou e segregou gerações de humanos e persiste até hoje em nosso meio causando contaminações até hoje. Seu nome causava temor e repugnância somente na pronúncia: estamos fazendo uma rápida retrospectiva da “lepra” e é tão verdade esta afirmação que teve sua nominação alterada A hanseníase é uma doença crônica, transmissível, de notificação compulsória e investigação obrigatória em todo território nacional. Possui como agente etiológico o Mycobacterium leprae, bacilo que tem a capacidade de infectar grande número de indivíduos e atinge principalmente a pele e os nervos periféricos ,com capacidade de ocasionar lesões neurais, conferindo à doença um alto poder incapacitante, principal responsável pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela doença.
A infecção por hanseníase pode acometer pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. Entretanto, é necessário um longo período de exposição à bactéria, sendo que apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. A hanseníase é uma das doenças mais antigas da humanidade. As referências mais remotas datam de 600 antes do início do calendário gregoriano, seguido pela maioria dos países e procedem da Ásia, juntamente com a África, são consideradas o berço da doença. Entretanto, a terminologia hanseníase é iniciativa brasileira para minimizar o preconceito secular atribuído à doença, adotada pelo Ministério da Saúde em 1976. Com isso, de acordo com a Lei nº 9.010, de 29 de março de 1995, o termo "Lepra" e seus derivados não poderão ser utilizados na linguagem empregada nos documentos oficiais da Administração centralizada e descentralizada da União e dos Estados-membros. O Brasil ocupa a 2ª posição do mundo, entre os países que registram casos novos. Em razão da elevada carga, a doença permanece como um importante problema de saúde pública no País.
Os sinais e sintomas mais frequentes da hanseníase são:
• lesão(ões) (manchas) e/ou área(s) da pele com alteração da sensibilidade térmica (ao calor e frio) e/ou dolorosa (à dor) e/ou tátil (ao tato);
• comprometimento do(s) nervo(s) periférico(s), geralmente espessamento (engrossamento), associado a alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas;
• Áreas com diminuição dos pelos e do suor;
• Áreas do corpo com sensação de formigamento e/ou fisgadas;
• Diminuição e/ou ausência da força muscular na face, mãos e pés;
• Caroços (nódulos) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
O diagnóstico tem alta relevância os sinais e sintomas clínicos acima citados e devem ser complementados com exames patológicos onde faremos a baciloscopia e histopatologia, confirmando assim, as hipóteses clinicas. Mesmo sendo um diagnóstico de impacto até nossos dias, temos protocolos de tratamento clínico sem afastamento ou isolamento, pois é uma doença curável de fácil manejo e devemos tratá-la sem os estigmas que a caracterizaram através dos milênios de sua existência.
Como a Hanseníase é transmitida?
A transmissão ocorre quando uma pessoa com hanseníase, na forma infectante da doença, sem tratamento, elimina o bacilo para o meio exterior, infectando outras pessoas suscetíveis. A via de eliminação do bacilo pelo doente são as vias aéreas superiores (mucosa nasal e orofaringe), por meio de contato próximo e prolongado. Os doentes com poucos bacilos – paucibacilares (PB) – não são considerados importantes como fonte de transmissão da doença devido à baixa carga bacilar. As pessoas com a forma multibacilar (MB) - muitos bacilos, no entanto, constituem o grupo contagiante, mantendo-se como fonte de infecção enquanto o tratamento específico não for iniciado. A hanseníase apresenta longo período de incubação, ou seja, tempo em que os sinais e sintomas se manifestam desde a infecção. Geralmente, dura em média de 2 a 7 anos, não obstante haja referências à períodos inferiores a 2 e superiores a 10 anos.
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