29-04-2020 - Anussim Brasil
Sim, elas podem trazer conseqüências boas ou más, dependendo da forma como são ditas. Não há mágica nelas, do contrário diríamos acabem as guerras e imediatamente terminariam.
Quando eu era estudante de Letras, aprendi que as palavras têm poder. Elas podem construir uma cidade inteira, como também ao contrário, desmorona-la. E note-se , às vezes, um tapa não doi tanto, quanto uma palavra de maldição, de depreciação ou mesmo de difamação. Porém, a mesma boca que dissimina veneno, também abençoa, apregoa a paz e bendiz ao Eterno. Como está o diálogo com meu próximo e comigo mesmo? A minha realidade pode ser modificada com o uso de palavras? Há experimentos sobre isso, tanto com água , como também com nosso DNA. Com a água , o cientista Masaru Emoto fez experiências com músicas de grandes interpretes, tais como Beethoven e Mozart. As moléculas da água transformaram-se a medida que se prosseguia a audição. Pjotr Garjajec, biofísico russo e biólogo molecular e sua equipe, comprovaram recentemente que a freqüência de determina palavra, altera e reprograma o DNA.
Então palavras positivas são capazes de transformar as pessoas, proporcionando-lhes cura, autoconfiança, prosperidade e criatividade, as negativas podem rebaixar, humilhar e fazer com que o indivíduo se sinta menos inteligente ou mesmo menos próspero que outros. Portanto, palavras podem fazer toda a diferença, não só para o próprio indivíduo, como em toda uma comunidade. O quanto eu amo meu semelhante? Quantas vezes eu rezo pela minha família, pela família de outros e pelos próprios participantes da minha comunidade? O quanto eu me dôo para boas causas, sem depois maldizer? Sem cometer Lashom Hara? Entretanto se a minha realidade, não condiz com aquilo que eu gostaria, eu preciso muda-la. Estamos de quarentena por conta do COVID-19, que tal utilizarmos para nossa vida, um aprofundamento no estudo da Torah? No estudo dos profetas. Ler muitos Salmos.
Pessoas que falam demais da vida de outras, são consideradas “fofoqueiras”. Elas convivem no ambiente familiar, no trabalho, nos templos e às vezes nem conseguem ver, quão mal estão fazendo a si mesmas e as demais pessoas ao redor. Essas fofocas geralmente são perigosas, porque disseminam meias verdades e que partem de uma pessoa, que passa para outra, que leva adiante interpretações diferentes da primeira versão, tirando conclusões erradas e espalhando o mal. Muitas pessoas inocentes, acabam sendo envolvidas em mentiras sórdidas de difíceis de soluções. Fofocas destroem reputações, acabam com casamentos, minam o ambiente acolhedor , espalham ódio e temor. São como um câncer: você as corta em um local e logo elas reaparecem em outro.
As palavras têm poder? Sim, elas podem trazer conseqüências boas ou más, dependendo da forma como são ditas. Não há mágica nelas, do contrário diríamos acabem as guerras e imediatamente terminariam. Mas ao invés de você maldizer, bendiga ao invés de reclamar, agradeça. Invés de ser ríspido, seja brando. Todas essas maneiras de abordagem, melhoram relacionamentos, apaziguam o espírito e agregam as pessoas ao redor. Anatomicamente nossos lábios são formados com dois freios. Temos os lábios e depois os dentes e então a língua. A língua está encerrada, porque é um órgão perigoso, que devemos ter muito cuidado ao pronunciar. Como diz em Salmos (Tehilim) 34:13 : “Proteja sua língua para não falar o mal e seus lábios de dizer mentiras”. Há tanto poder nas palavras, que não precisam ser oralizadas, escritas ou digitadas de forma direta ou em metáforas. Encerro com fração da reza de Rabi Iehi Ratson “que seja da sua vontade Hashem hoje e sempre, que nos livre da má língua, da calúnia, de um julgamento severo e de um implacável acusador, seja ele israelita ou gentil (Sidur pg. 26 e 291). Amen.
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