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TEMPO DE CRISE

14-05-2020 - Anussim Brasil

Tempo de crise é tempo de pensarmos, medirmos, calcularmos e checarmos duas vezes antes de tomar alguma ação, qualquer que seja ela.

Sempre teremos os mais diversos tipos de contas a pagar, como aluguel, luz, água, cartão de crédito, mercado, transporte e tantas outras. A menos de alguns casos especiais, normalmente em tempos de crise, a entrada de dinheiro é reduzida. Alguns sortudos vivem de aluguéis ou de rendimentos de investimentos, há os aposentados e os servidores públicos que, a eles, não lhes faltarão os proventos mensais que os deixarão em situação de pleno conforto material. Mas alguns terão dificuldades de ultrapassar essa barreira. Uns sofrerão mais e outros menos. Entre esses, estão aqueles que tendo sido postos em disponibilidade sem proventos, terão os seus empregos de volta, ao fim da crise. Já em pior situação há os que foram demitidos, simplesmente perdendo os seus empregos e assim, as suas fontes de renda. Já no fundo do poço, se encontram aqueles que, sem emprego fixo, se acostumaram a sair pela manhã para vender mercadorias nos sinais de trânsito aos motoristas e esses são aqueles mais vulneráveis à crise.

Claro que a crise é passageira, mas a fome é impaciente. Quem tem a sorte de, ao precisar de recursos, poderem dispor das suas economias, juntadas em tempos mais benfazejos, muito bem. Mas e os outros, que de nada dispõem para viver? Esses terão de ser fortes e lutar, ainda mais do que já vinham lutando antes. Tenhamos respeito, admiração e amor por esses últimos, pois precisarão muito daqueles que vivem melhor. Eu soube do caso que uma pessoa que estava em casa, quando alguém tocou a campainha. Ele me disse que era um homem dos seus 40 anos. Ele vinha com um saco de latinhas para vender no ferro velho em uma mão e com um saco com molho de pimenta na outra mão. Molho esse, que é feito em casa mesmo, não se sabe sob quais condições de higiene e estava vendendo cada pote de uns 500 gramas a R$10,00. Pois bem, essa pessoa comprou o molho, não porque precisasse, mas entendendo que aquela venda poderia representar a compra do jantar de uma família. Ele agradeceu, despediu-se e desejou bom trabalho ao vendedor. O preço foi caro? O produto é bom? Ele vai usar o produto comprado? Isso não tem a mínima importância, pois foi um ato de tsedacá, que deixou o vendedor em posição de dignidade, saindo dali com a cabeça erguida e o peito estufado de orgulho, tanto pelo seu trabalho quanto por estar levando o sustento da família, por ele conquistado pelo seu valor pessoal. E mais: essa postura digna lhe dará melhor condição de convencimento de novos clientes, para fazer as próximas vendas.

Mas no momento de crise, o que fazer com o parco dinheiro que possa entrar, seja o montante das vendas das pimentas, ou das vendas de balas no sinal, ou de carpir um terreno, ou mesmo os R$600,00 que o governo está disponibilizando aos mais carentes? O que fazer se esses recursos são tão poucos? Muitos pensarão em pagar contas, pagar o cartão, pagar luz, égua, celular e outras dívidas reais e que a consciência determina que sejam pagas. Será se isso é uma ação correta? E se a pessoa pegar essas R$600,00 e comprar uma partida de pimentas, óleo, vinagre, sal, louro, coentro e outros condimentos, além de potes e, se fizer pimenta para vender, transformando aqueles R$600,00 em R$1.200,00 ou mais? Com os lucros, poderia pagar as suas contas, se alimentar e reinvestir o que sobrar. E se, ao invés de molho de pimenta, ele produzir biscoitos deliciosos, feitos de acordo com a receita da sua avó? Ou mesmo comprar doces pra vender no sinal?

A nossa mente é brilhante e criativa. É ela que nos capacita a sairmos de enrascadas e por cima. É o prazer de sobrepujar os desafios com honra e dignidade que nos dá o reconhecimento pessoal e a autoestima, tão fundamentais para seguirmos em frente com mais força e vigor.

Baruch Hashem! Vamos em frente! Vamos pra cima! O destino de cada membro do Povo do Livro é o sucesso.

Benyamin Zait

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