20-05-2020 - Anussim Brasil
Será que as mulheres modernas sentem, que ficar ?confinada? ao seu lar, satisfaz seu intelecto?
Primeiramente, vamos analisar a mulher dentro da história, mais especificamente na época em que a Torah, nos foi concedida pelos nossos Patriarcas. As Matriarcas poderiam ser profetizas e até mesmo juízas. Faziam parte do contexto como um todo, tanto nas reuniões religiosas, quanto nas festas e políticas. Eram respeitadas, ouvidas e tinham voz. Porém, Israel sendo um povo que sofreu diversas dominações estrangeiras, modificou seu tratamento em relação às mulheres, relegando-as ao lar. A lei judaica seguiu principalmente, o modelo grego, o qual continua estabelecido até nossos dias. Mesmo com a evolução da mulher, nem todas as correntes judaicas, aceitam o destaque que essa possa ter em detrimento ao homem. O que incomodava particularmente e agora falando por mim, era a oração matinal feita pelos homens “Bendito sejas tu, Eterno, nosso D_us, Rei do Universo que não me fizeste mulher” (Sidur) Graças ao elevado intelecto de nossos líderes, a configuração mudou para “Bendito sejas tu, Eterno, nosso D_us, Rei do Universo que me fizeste conforme tua imagem e semelhança”.
No Talmud o versículo “Toda a glória da filha do rei na sua casa” Tehilim (Salmo 45:14) é interpretado como trabalho da mulher é cuidar da casa, dos filhos e marido. Ou seja, ocupar um lugar de dependência, procriadora e subjugada ao homem, porque segundo Rambam “Não são suficientemente inteligentes para poder ensinar”. Portanto, por esse prisma adotado pelo Judaísmo em geral, priorizando as tarefas domésticas tem por consequência, não ocupar cargos religiosos, ficando isenta de alguns preceitos judaicos. Mas, é esse o papel que a mulher quer? Será que as mulheres modernas sentem, que ficar “confinada” ao seu lar, satisfaz seu intelecto? A maioria das mulheres modernas cumprem os preceitos divinos, trabalham, tem jornada dupla e tripla e ainda cuidam dos seus maridos, filhos e lar. As que cuidam exclusivamente dos afazeres domésticos, é porque em contrapartida teem um companheiro, que lhes proporciona renda suficiente para isso e porque querem ficar em seus lares. Não são propriedades masculinas. Mas por que uma mulher não pode ler a Torah no serviço religioso? Porque para isso há necessidade de estudar muito, conhecer o hebraico e entonações usadas na liturgia. E o preparo necessário é grande, exigindo muito conhecimento.
Então, estamos no século XXI, vivendo em meio às grandes conquistas em todos os setores do intelecto humano. Muitas mudanças ocorreram em todos os campos do conhecimento. As mulheres conquistaram direitos e responsabilidades. Muitas com ensino superior, exercendo cargos de grande representatividade, tanto em empresas públicas , quanto privadas. Hoje muitas delas são a “cabeça” da casa, sustentando a si mesma e aos filhos, quando não ao próprio companheiro, que às vezes “troca” de posição com ela. Ou na maioria dos casos, as tarefas domésticas são repartidas igualmente entre o casal, inclusive na criação dos filhos. O Judaísmo conservador e tradicional, no qual a Anussim Brasil está inserida, teve a sensatez de motivar as mulheres que fazem parte do seu quadro de associadas e convida-las a participar das atividades da Sinagoga, diretamente e indiretamente. Um exemplo: este artigo. Portanto, leitores outras questões relacionadas ao comportamento da mulher dentro da Sinagoga, poderemos discutir em outro artigo. Para encerrar: Não temos diferenças. Todos e todas somos seres humanos criados por Hashem.
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