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LUTO

25-05-2020 - Anussim Brasil

Toda vez em que nasce uma vida, o que temos de certeza sobre ela é que haverá um período de vida e é certa sua morte, tudo o que se pode agregar a esta são probabilidades de dar certo.

Luto é o sofrimento por uma perda, seja de pessoa ou de algum objeto: quanto maior a proximidade do objeto, maior o sofrimento
-O luto é um processo natural no qual todos passam, não necessita tratamento ou acompanhamento médico desde que não seja excessivamente prolongado.
-Durante o processo do luto, existem fases que geralmente as pessoas passam e devem passar
O luto não precisa estar diretamente ligado a um processo da morte de alguém, pode e até deve estar relacionado a outros diversos processos de perdas e mudanças intensas que vivenciamos na vida, desde objetos na infância, moradia, amigos, escola, trabalho, namoro, casamento, mudança de cidade ou país, desde que represente uma perda significativa. Os estudos sobre luto ou morte são recentes, ganhando certa estrutura no mundo somente após a segunda guerra e no Brasil  por volta de 1980. Anteriormente, na história, a ideia de morte era vista de outra forma, era uma realidade, tanto pela expectativa de vida mais curta, doenças, poucos recursos médicos, guerras contínuas. Pode-se dizer que, a morte era vista como algo mais natural, talvez havendo mais espaço para ser vivida, nomeada, sentida e assim superada. As perdas, logo as mortes, eram elementos da vida real, uma dor como parte do viver.
Fases do luto embora alguns autores chamem de fases, o primeiro grande autor que descreveu esse processo diz que há uma reação que ele chama de trabalho de luto: no primeiro momento você tem uma reação de choque com a realidade, então pessoa diz: 'como é possível que isso tenha acontecido?'. É quando a mente entra em um processo investigatório para entender como aquele fato aconteceu. Perguntas do tipo 'como?', 'por quê?', 'quando?' são formuladas na mente e cada vez que uma delas é respondida, ela vai para a próxima. "A reação das pessoas a essas respostas é o que os autores chamam de fases" que seriam:
Negação/choque: geralmente é a primeira reação. Ao se deparar com a perda, a pessoa nega, não aceita a perda. É o modo de defesa diante da situação: não está acontecendo, não é verdade, não é com ela, tudo vai voltar ao normal, amanhã será tudo igual etc.
Raiva: é uma outra modalidade defensiva. O indivíduo fica com muita raiva, às vezes ódio, da perda ter acontecido com ele e não com outra pessoa. Isso acontece muito quando ocorrem mortes violentas: é comum a raiva, o sentimento de injustiça e o não entendimento da situação. Outro exemplo da psiquiatra, é em casos de amputação. "tenho pacientes muito jovens, principalmente motociclistas que perderam um braço ou uma perna.
Depressão: diferente da raiva, que é um sentimento mais expressivo e mobilizador, onde a pessoa coloca para fora tudo o que pensa e sente, a depressão é mais quieto, introspectivo e imobilizador, uma tristeza profunda pela perda. Na depressão já não há mais força emocional, para lutar contra os medos e a dor da perda e o fim é assumido e encarado.
Negociação ou barganha: é uma parte do processo em que a pessoa tenta "salvar" a perda. Tentar tornar o que é irreversível, reversível. É o processo de investigação mental: " se eu tivesse feito isso?"; "será que poderei fazer algo?". Um exemplo que a psiquiatra utiliza é o término de uma relação conjugal. Quando um quer terminar e o outro não aceita, este vai negar o término, porque o desejo dele ainda está mantido. Depois de negar, vai se perguntar 'por que' a outra pessoa quer terminar. Depois, vai se questionar 'o que eu poderia fazer para salvar essa relação?' e vai tentar salvar. Até que, por fim, o outro permanece com a realidade informada de que não há mais nada a que ser feito.
Aceitação: é quando o enlutado consegue lidar com a perda com menos sofrimento. A pessoa tem a aceitação da finalidade da perda e aos poucos vai retomando a normalidade da sua vida e adaptação a sua nova realidade e o fim do luto. "Essas fases estão presentes, mas não são lineares. Não quer dizer que as pessoas passarão por todas, e nem na mesma ordem. É mais para que possamos entender e repensar esse processo". A psicologia salienta que rituais como o velório e o enterro, para casos de morte, são muito importantes para encerrar ciclos. Assim como é importante que crianças participem. "Mortes em que não são encontrados os corpos ou que não se tem certeza do que aconteceu prolonga a dor pois há sensação e espera que a morte não tenha ocorrido. Quando a dor começa dar espaço para um processo de superação, sofrer a dor da perda, não tomará mais todo o espaço da vida já poderá voltar a pensar em planejar, construir e seguir em frente, enquanto ainda lida com sua dor.
Não há um tempo certo para cada estágio, nem mesmo é necessário que se siga a ordem ou que ocorra todos os passos, isso sempre será muito particular a cada caso e a complexidade maior ou menor para cada pessoa.
Elaboração do luto- a elaboração acontece quando a pessoa transforma uma situação de dor em outra que seja benéfica para todos. "Para não sofrer a dor daquela perda, a pessoa transforma aquela experiência em algo para elevá-la de que ela vai sair por cima de toda a dor que ela está sentindo". Aceitar dentro de si a realidade, nossas limitações como seres humanos, que ainda teremos perdas ao longo da vida e que farão parte de nossa existência, é um processo de elaboração. "Nós transformamos as dores e derrotas em incentivos e ensinamento para seguirmos adiante e tentarmos sair confortados ". O processo de luto, no caso de morte, dura entre dois e dois anos e meio, "O primeiro ano é sempre o mais difícil, é quando passa por todas as datas importantes sem a pessoa amada: o primeiro aniversário, o primeiro Natal, primeira virada de ano". Passado esse primeiro ano, no segundo o sentimento já é menor, pois a pessoa conseguiu passar pelo primeiro ano e sobreviveu". Quando o luto dura mais do que esse tempo e começa a prejudicar a pessoa enlutada em suas necessidades básicas, o ideal é buscar ajuda com um

 

Dr. Telmo Bittencourt

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