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Quem sou eu?

02-06-2020 - Anussim Brasil

Cada um de nós tem as suas experiências e histórias de vida, registradas e carinhosamente guardadas com maior ou menor afeição, nas nossas memórias. O limite de abrangência delas é o limite das nossas capacidades de memória, o que é natural e compreensivo.

Porém a resposta à pergunta “quem sou eu?” vai muito além da curta abrangência de uma única vida, a tua vida. Quem te trouxe à vida, teu pai e tua mãe, fazem parte da tua vida e da resposta àquela pergunta, quer nas memórias de tudo o quanto você viveu junto a eles, quer naquilo que eles viveram sem o teu conhecimento. Também isso você deve a eles, do mesmo modo, eles devem aos pais deles. Vindo daí que essa dívida passa a ser também tua, mesmo sem que você ao menos saiba qual do seu conteúdo e alcance. E como a dívida te foi transmitida, passará a ser débito dos teus filhos e dos filhos deles, depois deles. Todos aqueles que hoje estão vivos, devem a metade de tudo o que são e que têm a si mesmos, pelos esforços e realizações que têm tido nas suas vidas. Porém a outra metade desses méritos e dívidas, pura e simplesmente são devidas a eles e a todos os teus antepassados.

Cada experiência somada à vida de cada um daqueles teus ancestrais, sem importar quais sejam os seus nomes, nem o que tenha sido e nem o quão longe no tempo estejam, a cada um deles, deves a metade tudo aquilo que são os teus valores, o que és e que tens no dia de hoje.

Os meus leitores são B´Nei Anussim ou seja, filhos dos forçados. Antes de perguntar “quem sou eu?”, pergunte “quem somos nós?”. Somos muitos. Somos tantos. Somos uma miríade de homens e mulheres. Somos almas que clamam mais ou menos conscientemente, muitos em segredo temerosos de censura. Clamamos pelo retorno àquilo que foi tomado dos nossos pais, em distante tempo passado. Somos frutos daqueles de quem a memória nos foi tomada da forma ainda mais violenta do que aquilo que nos seja possível de imaginar.

Em nome dos heróis que foram os teus avós, aqueles que escolheram viver, embora fora da proteção das asas do Eterno e que, devido a isso permitiram a tua existência. E tudo feito em troca do sofrimento pessoal, trazido pela proibição do culto ao Eterno e pelo impedimento de conhecer os 3.300 anos estudo da Torá. Houve aqueles que escolheram a morte, seja pelas máquinas de tortura e morte dos inquisidores, transpassada pelas suas espadas ou ainda incinerada nas suas santas fogueiras ao invés da dor da proibição da fé. Ah, eles tiveram as suas dores rapidamente suprimidas pelo sono eterno. Eles foram heróis da fé, mas foram impedidos assim da dar continuidade às suas vidas, nas gerações de seus filhos, geração essa, recebida dos seus pais, desde Abraão, Isaque e Jacó. Quem foi mais heroico? O que morreu na fé ou o que viveu até o dia de hoje, em você? Quem foi mais abençoado pelo Eterno? Cabe a Ele e tão somente a Ele julgar isso.

Hoje cabe a você, que agora segura o bastão da vida, dar continuidade à vida do nosso povo, além de dar vigor à nossa luta, pelo sucesso e pelo crescimento dessa nossa comunidade B´Nei Anissim, que é santa e abençoado pelo Eterno. Agora te cabe lutar em busca do crescimento, tanto o espiritual, na tua Sinagoga, quanto o material, no teu dia-a-dia. Lute pela continuidade daquele herói que, embora jamais tenha te conhecido, permitiu a você, que jamais o conheceu, de estar vivo hoje. Honre as décadas da vida dolorosa apartada do Eterno, daquele teu herói desconhecido que nunca te conheceu, unido a você pelos laços do tempo, dado a vocês pelo Eterno.

Baruch Hashem! Vamos em frente! Vamos pra cima! O destino de cada membro do Povo do Livro é o sucesso.
 

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