23-09-2020 - ANUSSIM BRASIL
Nem sempre é fácil lutarmos contra as nossas más inclinações e temos que estar muito atentos a tudo que fazemos, pois é mais fácil cometermos más atitudes que boas, embora as duas venham de D_us.
Por qual começamos primeiro, já que estamos em dias de julgamento até Yom Kippur? Por Há-Satan ou por Yetzer hará?
Podemos afirmar que um, complementa o outro e vice-versa. O que é Yetzer hará? São nossos maus instintos. Nem sempre é fácil lutarmos contra as nossas más inclinações e temos que estar muito atentos a tudo que fazemos, pois é mais fácil cometermos más atitudes que boas, embora as duas venham de D_us. Vejamos então o que nos diz a Guemará (parte do Talmude que contém os comentários e análises rabínicas da Mishná ou tradição oral). Ela nos diz que Yetzer Hará, Há-Satan e o anjo da morte (malach Hamavet) são os mesmos (Baba Batrá 16). Este conceito é diferente do Satanás ocidental, pois no Judaísmo qualquer criatura que entre em conflito com D_us, porque contradiz a ideia de monoteísmo. Se há um D_us no céu que luta contra um outro de um mundo paralelo ou inferno, não é monoteísmo. É uma dualidade que existe nas crenças pagãs. Há um anjo do Eterno, conhecido como Há-satan e a missão deste é acusar na corte de Hashem. Ele não tem poder e nem autoridade próprias e deve obedecer e ter a permissão do Eterno para atuar. Esta é a descrição correta deste ser e não como é apregoado, como alguém que se indispôs com o Eterno e está aqui para que “pequemos”. No Judaísmo cada um de nós é responsável pelo que faz.
Na Torah pouco se menciona satan. Quando este aparece, está sob a custódia de D_us. Aparece em Crônicas, Jó, Salmos e Zacarias apenas. Em cada caso conhecido nestes livros, Há-satan atua como fiscal e apresenta a acusação e evidências ao Eterno do acusado. Então pede permissão ao Eterno, para iniciar a operação que desmascara o infrator da lei. Literalmente satan quer dizer adversário. E todos os dias travamos uma luta com ele, para não nos inclinarmos para o mal. Em contrapartida temos a “yetzer hatov”, a inclinação para fazer o bem. Vamos exemplificar melhor a “yetzer hará” ou a inclinação para o mal. No livro de Gênesis (Bereshit) 4:7, D_us não se agrada da oferta de Caim e disse “Se não vais fazer o bem, o Yetzer hará (inclinação para o mal) te esperará na porta e o está esperando, porém se quiseres, podes domina-lo.” Então com estas palavras, o Eterno fala diretamente a nós, pois se não conseguir dominar sua parte má, com boas ações, rezas, tsedaká, a inclinação do mal te levará a cometer outras coisas más, fazendo com que isso torne-se normal em tua vida. Mas se fecharmos a porta para essa inclinação, a Yetzer Hará terá que sair de nossas vidas.
Vamos agora traduzir do artigo “drasha de Torah” de autoria de Rabbi Mordechai Kamenetzky, um diálogo que ilustra a história do Rab Shlom Shwadron e a “Yetzer Hará. O Rabi Shlom Shwadron notou que um de seus alunos da Yeshivá, havia faltado domingo e segunda. Na manhã de terça-feira perguntou ao jovem, porque não havia ido estudar nesses dias. “Te conheço de muito tempo e nunca havia faltado um só dia na Yeshivá. Está acontecendo algo? Conte-me”. O rapaz em princípio não queria falar, mas depois disse que o Rebe, não o entenderia. Então o Rabi lhe respondeu, que faria o possível para entende-lo. Então o rapaz começou “faltei a Yeshivá porque estava vendo as finais de futebol e talvez falte amanhã também” falando com certa vergonha. “É o final do campeonato”. O Rabi não se mostrou bravo, pelo contrário, interessou-se muito. “Seguramente este jogo de futebol deve ser realmente bom. Conte-me como se joga futebol. Qual é o objetivo Quem ganha?”Então o jovem contou “Há onze jogadores e o objetivo é colocar a bola dentro do retângulo” O Rabi sabia que este jovem era um bom estudante e então disse a ele “Então assim que fizerem o gol, volte a Yeshivá”. O estudante sorriu e disse “Rebe você não entende! A outra equipe também tem onze jogadores e um goleiro e eles tratam de deter o adversário, para que não façam gol”. “diga-me” disse o Ravi “estes outros homens da outra equipe estão ali 24 horas por dia?” “Claro que não” disse o estudante rindo. “Vão para suas casas à noite” E então o Rabi lhe respondeu “Por que não podemos vir à noite, quando o time contra não está e colocamos a bola dentro do gol, quando ninguém está olhando? Em tão depois regressamos a Yeshivá!” O jovem se deu por vencido, frustrado de ver que o Rabi não havia entendido. “Oh Rebe, você não entende? Não fazem gols se outro time não trata de te deter. Não tem nenhum sentido jogar a bola dentro de um gol vazio e sem adversário do outro lado”. “Ah” gritou o Rabi com tom de vitória “Agora escuta por um momento o que acabas de dizer: Não tem nenhum sentido jogar a bola dentro do gol vazio, se não há adversários do outro lado. O mesmo sucede ao estudo da Torah: justamente quando há adversários , quando há um desejo de faltar à classe, quando o Yetzer Hara trata de desviar-nos do caminho... é quando realmente se acumulam pontos. Vem amanhã e jamais poderá imaginar quantos gols marcarás para a equipe de Hashem” Não precisa nem dizer que o jovem entendeu a mensagem e estava no dia seguinte, estudando na Yeshivá.
É a Yetzer hará que nos incita a pecar , Há-satan nos acusa perante Hashem e o anjo da morte (Malach Hamavet), que diz a Hashem que sejamos castigados até a morte. Então estamos em tempos de D_us provar-nos e analisar nossos atos, até onde estamos dispostos e até quanto nos esforçamos para nos apegar a Hashem. Somos desafiados a cada momento e às vezes compelidos a bloquear nossas intenções de cumprir mitzvot. Nosso trabalho é nos dar conta, que devemos vencer a Yetzer hará, quando o desejo é maior. Porque quanto maior a dificuldade em fazer o correto, mais acumulamos pontos junto ao nosso Criador.
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