15-10-2020 - ANUSSIM BRASIL
Foi a única comunidade judaica que, desde a expulsão de judeus em 1496 e mesmo com a vigilância da inquisição, se manteve até aos dias de hoje.
Cidade patrimônio monumental e cultural da humanidade, a atrativa Belmonte, distante cerca de 300 quilômetros de Lisboa/Portugal, reúne história e arquitetura medieval, herança judaica e paisagens perfeitas.
Em Portugal, há três comunidades judaicas ativas: em Lisboa, Porto e Belmonte. A de Lisboa é a maior. A de Belmonte é a que tem mais significado histórico, porque deram continuidade à sua identidade religiosa de forma secreta.
Belmonte foi a única comunidade judaica que, desde a expulsão de judeus em 1496 e mesmo com a vigilância da inquisição, se manteve até aos dias de hoje. A transmissão da tradição cultural se deu de forma oral, e graças ao papel da mulher. Eram elas que mantinham as práticas judaicas, e as transmitiam aos filhos, quando estes já tinham idade para saberem guardar segredo.
Os membros da comunidade se casavam entre si, não tinham contato com judeus no exterior, e adaptaram alguns rituais como o Natalino, para não serem descobertos.
Belmonte representa o último refúgio dos judeus secretos de Portugal, onde o engenheiro Samuel Schwarz há cerca de 100 anos, encontrou moradores que rezavam orações diferentes, clamavam pelo Eterno, e louvavam Adonai. Uma religião em si, cheia de tradições, costumes e reminiscências.
O ambiente acolhedor de Belmonte, suas singelas ruas e construções em pedra de xisto, guardam memórias de uma história de intolerância, marca da Inquisição portuguesa, e de resistência, também da fé mantida pelos marranos, que se recusaram a seguir o catolicismo, a religião imposta.
A comunidade foi reconhecida oficialmente em 1989, e hoje já pratica o judaísmo ortodoxo, e tem um rabino e uma sinagoga. Algumas pessoas dão aqui os primeiros passos, para se converterem ao judaísmo, finalizado o processo em Israel.
Apesar da história única, e de os judeus serem a alma de Belmonte, a comunidade judaica corre o risco de se extinguir. Há três anos eram quase 130 pessoas, agora são apenas 55. Os motivos? Uma parte pelo “retorno à Terra Prometida” incentivado por Israel, outra pelo desemprego na região de Belmonte. A consanguinidade, é outro motivo que levou os judeus, a ser uma comunidade cada vez menor.
Além da comunidade judaica, outra atração da cidade, é ela ser o berço de Pedro Álvares Cabral, o que faz com que seja motivo da visita de muitos brasileiros.
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