02-11-2020 - ANUSSIM BRASIL
As experiências se multiplicam quando temos harmonia com nossos pais, esposos, esposas, filhos, enfim, pessoas que nos cercam.
Vamos relembrar, o sucesso de Jacó ao sair a peregrinar, e veremos através de nossos comentaristas, as revelações escatológicas do mundo. Teremos estas manifestações graças a busca de Jacó pela harmonia com seus pais e o Eterno.
As narrativas em Gênesis 28. 3-5 – Isaac abençoa outra vez Jacó dizendo-lhe: “ E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; 4 E te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão”. Temos na Torá um comentário que diz o seguinte: “ O rabino Hirsh interpreta assim este versículo que diz, “uma multidão de povos”. Jacó está destinado a ser uma grande nação, que incluirá várias e distintas tribos (povos, Amim), cada uma delas com características e missões diferentes, mas que, juntas, formarão a única e indivisível Congregação (Kahal) de Israel. Tão interessante entender a forma que Hashem dirige a história, para fazer-nos compreender que Ele está no controle das coisas, e que a harmonia no cumprimento de suas mistvot, é o fundamento do sucesso. Que mais disse Isaac ao seu filho Jacó? “E te dê a bênção de Abrahão”. Além de retificar as bênçãos conferidas anteriormente, Isaac confirma-lhe a transmissão das bênçãos de Abrahão, tornando-o o seu sucessor espiritual e o terceiro elo da mesma corrente. O rabino Iossef Dov Soloveitchik (1903 – 1993) salienta o momento desta “transmissão oficial”, exatamente quando Jacó parte para encontrar sua esposa. Os patriarcas sempre atuaram em conjunto com suas esposas, as matriarcas do povo judeu. Isto é bastante claro a Abrahão e Sara. Quanto a Isaac, ele recebeu “tudo que possuía” Abrahão – inclusive as bênçãos – só depois de seu casamento com Rebeca (25.5), o mesmo ocorrendo agora com Jacó”. Para compreendermos como podem sair de coisas ruim, cumprimentos dos propósitos divinos que talvez nem Isaac e sua esposa poderiam compreender. Desavença, desarmonias, ameaça de morte, conduziria Jacó a palmilhar a direção desconhecida por ele, para realizações gloriosas que Hashem tinha lhe reservado. Precisamos prestar atenção na nossa jornada, e perceber o quanto o Eterno nos guia, vezes tão sofridas, e até com perdas de muitas coisas. Quando comparamos o caráter de Esaú, com a de Jacó, era como água e o vinho, bem diferentes. Esaú não teve nenhum respeito pela tradição, e religião dos seus pais, ao se casar com as canaanitas, (casamento misto). Jacó obediente a formação dos seus pais, é eleito e confirmado como o terceiro patriarca, na sucessão que daria o surgimento das doze tribos de Israel. No versículo 10, relata que Jacó saiu de Beer-Shéba : “poço do juramento”. Era um centro da vida patriarcal. Comentário na Torá: “Quando Tsadic (homem justo) saí da cidade, com ele saem o brilho, a glória e o ornamento desta, por isso foi necessário dizer: “E saiu Jacó de Beer-Shéba”, por causa da desarmonia com seu irmão, ele foi obrigado a sair. Isso também acontece hoje entre os homens civilizados, que perseguem seus irmãos, e seus semelhantes diante do Eterno. Sendo o melhor, de conviver em harmonia e compreensão com todos os membros da sociedade humana, gozando dos mesmos direitos em justiça e igualdade.
Que revelação de importância, teve Jacó em sua jornada rumo a Hara, para a casa do seu tio? Cansado em sua jornada se ajeita num bosque para dormir. Como diz o texto? 28.11 – “E chegou a um lugar onde passou a noite, porque já o sol era posto; e tomou uma das pedras daquele lugar, e a pôs por seu travesseiro, e deitou-se naquele lugar”. O Midrash (comentário da Torá), diz que houve uma verdadeira disputa entre as pedras, já que cada uma queria, que a cabeça de Jacó repousasse sobre ela. Uma verdadeira lição, para aqueles indivíduos e povos, que afogando todo sentimento humano, fecham suas portas diante do sofrimento dos seus semelhantes, quando fogem das perseguições. Esses deveriam tomar o exemplo das pedras do deserto, pelo qual passou Jacó, as quais foram mais hospitaleiras, mas sensíveis e mais humanas do que muitos homens. Pazuk 12, “ E Sonhou...” Uma escada estava apoiada na terra, anjos do Eterno subiam e desciam por ela. “O sábio Malbim (1809-1879) é de opinião que através deste sonho, Hashem quis revelar a Jacó o nível moral-ético, que todo homem é capaz de alcançar, se aspirar ao aperfeiçoamento. Cada ser humano, diz ele, encontra-se na situação de uma escada posta na terra, isto é, o corpo, a parte física do homem está na terra e depende das coisas terrestre e materiais, mas com a sua alma e seu espírito, partículas essas que Hashem lhe concedeu, ele é capaz de alcançar as coisas mais elevadas, mais sublimes. Isto depende das suas ações, do seu aperfeiçoamento espiritual, dos sonhos (aspirações) que ele sonha. Para muitos entre nós, esta interpretação será profunda demais, metafísica demais. Mas o Midrash – essa grandiosa obra popular, cujos compiladores se ocuparam mais com o sentimento e a emoção de nosso povo, ao contrário da Halacha- (caminho a ser seguido na interpretação das leis da Torá) que apela principalmente ao raciocínio, a lógica – define o sonho de Jacó da seguinte maneira: através deste sonho, o Eterno pretendeu desvendar a Jacó, não tanto o seu destino individual, mas sim, principalmente, o destino e o futuro dos seus descendentes. A escada é o tempo; os anjos que sobem e descem são os protetores celestiais dos grandes impérios, que surgirão na arena histórica – Egito Assíria, Média, Babilônia, Pérsia, Grécia, Roma. Por todos eles Israel passará e sofrerá. “Hashem, mostrou-lhe a evolução e a decadência cultural dessas poderosas potências”. Se tivesse se recusado a sair de Bersheba, como seus pais lhe ordenaram, nem nos saberíamos destas revelações de tanta importância, para nosso conhecimento. Bem diz David: “O segredo do SENHOR é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto” Salmo 25.14. Eram necessárias estas revelações para Jacó? Sim, porque ele haveria de instruir seus 12 filhos na formação das doze tribos de Israel. Quando Jacó acordou do sono ele diz: “Esta é a porta dos céus” versículo 17. Nosso comentarista diz o seguinte: “A visão que Jacó teve no seu sonho, era a revelação de tudo o que devia ocorrer a ele e à sua posteridade. A escada, representava simbolicamente a escada da História: povos, reinados, impérios que subiam cada um até certo grau de grandeza, e desciam na sua decadência (Ialcut 21). Essa escada, simboliza também a escada social. Todos os homens de virtude, qualquer que seja sua nação, sua raça e seu culto, têm o direito de nela subir. Todos podem aproximar-se da Luz Divina. No entanto, são poucos o que alcançam o cume da escada, pois é lá que as forças se apagam. A cultura do espírito, a virtude e a oração, são as forças mágicas que nos aproximam de Hashem. Tantas coisas a aprender nas revelações do Eterno a Jacó.
Yohanan Shaul.
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