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Havah (Eva) culpada ou inocente?

04-11-2020 - ANUSSIM BRASIL

Mas a ?serpente? convenceu a Eva e ela a Adão, que comessem do fruto da árvore em questão. Esta história é muito conhecida e nos faz pensar na ideia de anjos e demônios.

Começaremos uma série sobre mulheres, que fizeram parte da história espiritual judaica. É claro, começaremos por aquela que gerou a todos e a todas. Segundo a Torah em Genesis (Bereshit) 2:21-22 “Então o SENHOR Deus fez cair um sono pesado sobre Adão (Adam) e este adormeceu: e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou[edificou] uma mulher: e trouxe-a a Adão”. Eles estavam sem perturbação alguma. Porém segundo a Torah , havia uma árvore no centro do Jardim, da qual foram proibidos de a tocar, pelo próprio Criador. Mas a “serpente” convenceu a Eva e ela a Adão, que comessem do fruto da árvore em questão. Esta história é muito conhecida e nos faz pensar na ideia de anjos e demônios. É muito interessante notar, que há um diálogo entre Eva e a serpente. Fato inusitado, uma vez que animais teoricamente não falam. Porém esse não é um episódio único, que sucede na Torah. Mas esta é outra história. Voltando à serpente, nós ouvíamos antes de estudarmos a Torah, que D_us seria uma divindade do bem e a serpente do mal. Não é uma ideia judaica, pois cremos em uma divindade apenas. O eterno é um.
A antiga religião persa (Zoroastrismo) era formada por dois deuses. Uma divindade boa e outra ruim.  Nos nossos dias, não há muita diferença. A maioria das religiões acreditam nesta dualidade, as forças do bem enfrentando as forças do mal. Vejamos um texto fora do contexto Isaias (Yesha'yahu) 14:12-14 “ Como caíste do céu, ó Lúcifer, filho da manhã! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, e, acima das estrelas de Deus, exaltarei o meu trono, e, no monte da congregação, me assentarei, da banda dos lados do Norte. Subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” E esta é uma parte do capítulo 14, de onde se criou a imagem do demônio. Inclusive na tradução latina (vulgata) para Lúcifer feita por Jerônimo, não significava nome próprio. Originalmente se referia ao planeta Vênus, pois é muito brilhante. O tradutor não teve a intenção de transformar a palavra Lúcifer um nome próprio. No hebraico Heilel Ben-Shachar seria o nome “portador da luz” para o planeta, que era conhecido como uma estrela próxima da manhã. Os antigos achavam que era uma estrela e não sabiam que era um planeta.
Voltando no mesmo capítulo de Isaias nos versos 4 e 6 e então contextualizando o texto no seu todo, notamos que o profeta fala da Babilônia, da arrogância do Rei Nabucodonosor e enfatizando a quebra da cidade dourada. Então o Profeta não estava se referindo a um ser maligno, que caiu do céu para vir confrontar a humanidade, mas tão somente deste Rei. Não podemos colocar reflexões e palavras vãs da nossa imaginação, nas palavras que Isaias escreveu. Porque foi contra Nabucodonosor que escreveu tão somente. Também fala da Babilônia como uma potência na época e que tanto o Rei, quanto a população, se achavam acima de qualquer soberano.  E essa é uma das controvérsias que há entre o Cristianismo e o Judaísmo. Então o fato profetizado, aconteceu em 539 a.E.C. através de Ciro da Pérsia. Naquele período os persas eram dualistas, ou seja, acreditavam em um deus do bem e outro do mal , que se chamava Zoroatrismo, criada por Zoroastro (Zaratrusta).  Entretanto em Esdras (Ezra) 1:1-7, Ciro , Rei da Pérsia, mesmo não sendo hebreu foi chamado pelo Eterno, para destruir Babilônia , juntar ofertas e tesouros e reconstruir o Templo do Senhor. Também fazer o retorno do povo judeu (hebreu) para Jerusalém. No verso 7, lemos “Também o rei Ciro tirou os vasos da casa do SENHOR, que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém, e que tinha posto na casa de seus deuses.” Em Isaias 45:3-7 “Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, a quem tomo pela mão direita, para abater as nações diante de sua face, e descingir os lombos dos reis, para abrir diante dele as portas, e as portas não se fecharão. Eu irei adiante de ti, e endireitarei os caminhos tortuosos; quebrarei as portas de bronze, e despedaçarei os ferrolhos de ferro. Dar-te-ei os tesouros escondidos, e as riquezas encobertas, para que saibas que eu sou o Senhor, o Deus de Israel, que te chama pelo teu nome. Por amor de meu servo Jacó, e de Israel, meu eleito, eu te chamei pelo teu nome, pus o teu sobrenome, ainda que não me conhecesses.
Eu sou o Senhor, e não há outro; fora de mim não há Deus; eu te cingirei,  ainda que tu não me conheças; Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o Senhor, e não há outro.Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o Senhor, faço todas estas coisas.” Então como vemos , Ciro é chamado de “ungido” no verso 3 e no 7, deixa bem claro que Ele  (D_us) faz a paz e cria o mal.
Portanto, não há dois deuses. O Criador cria a luz e as trevas e nós não podemos acreditar em outros deuses. A ideia de que Hashem nos abençoa e Satanás nos despedaça, não é um conceito judaico. Então vamos ao sentido de ha-satan. Na enciclopédia judaica é denominado acusador, sedutor e destruidor. Seu nome é VENENO de D_us, idêntico ao anjo da morte, que fere o homem com uma gota de veneno. Maimônides no “Guia dos Perplexos” Livro II – cap. 29 diz “A serpente tinha um cavaleiro, esse cavaleiro era Samael” e Samael é um nome atribuído por nossos sábios a Satan, como alegoria (simbolismo poético).  Yetzer Hara, Satan e Anjo da Morte são os mesmos , conforme “Guia dos Perplexos” Livro III – cap. 22. Ou seja não é um ente, um ser e sim a falha do caráter nos seres humanos, que os leva a se inclinar para o mal. Explicando melhor: nós temos dentro de nós um adversário. Há-satan aparece duas vezes na  Bíblia Judaica. No livro de Jó (que também é um texto figurativo) traduzido por Moisés, de uma linguagem arcaica. E em Zacarias 3:1-2, que tem uma VISÃO PROFÉTICA. O adversário nas duas ocasiões não se opõe ao Eterno, senão ACUSA no caso de Jó e no de Zacarias a Josué, o sumo sacerdote.
Mas e Eva e a Serpente? Maimônides diz que é figurativo. Se bem que para D_us, tudo é possível. O Eterno deu a Moisés o poder de abrir o mar vermelho para os hebreus passarem, por que não poderia fazer a Serpente falar?  porém havia uma árvore que daria a vida eterna, para quem comesse do seu fruto. Havia uma cobra falante e um anjo alado com uma espada flamejante no meio do jardim, para que o humano não voltasse.  Para entender melhor essa parte, devemos voltar ao hebraico e rever as passagens no original e analisar as “raízes” da palavra e ver que, serpente e nudez são descritos pela mesma origem.  Arumim para nudez e Arum  para astuto. Então traduzindo isso para que entendamos melhor: Somos tentados pela nossa própria carne. A serpente astuta somos nós desnudados. O mal dentro de nós. Não podemos nos esconder, não tem como colocar a culpa na crise, no chefe, no vizinho... o culpado é você pela inclinação ao mal. O ser humano quando peca, fica com vergonha e tenta esconder o erro de qualquer forma. A serpente representa o EGO (sereis iguais a D_us) poderosos. Para combater Satan, olhe para dentro de si mesmo , compreenda seus impulsos e domine-os. Combata o adversário dentro de você

 

Raquel Pereira Bittencourt

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