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A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO DE PAULO FREIRE - PRÓS E CONTRAS

02-12-2020 - ANUSSIM BRASIL

Para Paulo Freire há duas classes de cidadãos: os opressores e os oprimidos. Ele defende que ?É que o opressor sabe muito bem que esta ?inserção critica? das massas oprimidas, na realidade opressora, em nada pode a ele interessar.

Em nosso artigo anterior, falamos sobre a questão da Ditadura Militar e suas conseqüências. Neste artigo trataremos sobre a influência de Paulo Freire na educação paralelamente a este período conturbado da história na educação brasileira. Há quem diga que ele foi um grande patrono da educação e também o contrário, aquele que transformou ou “transtornou” a educação brasileira. É fato de que este educador, durante muito tempo reinou incontestável em suas idéias. No cotidiano ele ainda impera nas faculdades de pedagogia e porque não foi apenas este livro “A Pedagogia do Oprimido” que ele escreveu.  Pois bem, como vimos no artigo anterior, a época do militarismo trouxe para o País, uma educação severa, baseada no aprendiz e professor. Porém, isso ocorreu no século XX, onde havia grandes transtornos para modificar a educação no Brasil, mas que nos nossos tempos, possivelmente teríamos que rever esses valores. Esse problema discutiremos no último artigo sobre o assunto, fazendo a tríade Ditadura Militar, Paulo Freire e a proposta de militarização da escola.
  Este livro foi escrito em 1968, quando Paulo Freire estava exilado no Chile.  O livro foi proibido no Brasil e apenas publicado no ano de 1974. Naquele período havia uma repressão muito grande no País, como já dissemos no artigo anterior, em que muitos artistas, escritores e todos àqueles que se opunham ao sistema, foram exilados. Paulo Freire não foi exceção. Voltando à questão educação, o autor se inspirou em Marx para escrever seu livro. “Karl Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 – Londres, 14 de março de 1883) foi  um filósofo, sociólogo, historiador, economista, jornalista e revolucionário socialcomunista. Nascido na Prússia, mais tarde se tornou apátrida e passou grande parte de sua vida em Londres, no Reino Unido.” (Wikipédia).
Marx apregoava que a educação era controlada pelas classes dominantes e defendia a ideia de uma educação socializada e igualitária para todos. Ele não admitia que o estado burguês e capitalista, oferecesse uma boa qualidade de ensino e era contrário sobre a distinção de classe social. Em princípio parece um pensamento bom, lógico e que teoricamente, se aplicado à educação, traria bons resultados. Porém, na prática com o passar dos anos, não foi isso o que aconteceu. Vejamos algumas máximas de Paulo Freire neste livro, que estamos analisando em especial. No primeiro parágrafo do capítulo 01, o autor escreve “Reconhecemos a amplitude do tema que nos propomos tratar neste ensaio, com o qual pretendemos, em certo aspecto, aprofundar alguns pontos discutidos em nosso trabalho anterior Educação como Prática da Liberdade” ou seja a busca de uma educação menos opressora e mais libertadora. Então ele explica a necessidade dos oprimidos libertarem-se de si mesmos e depois de seus opressores. Dentro deste pensamento ele divaga entre conceitos e propósitos.
Para Paulo Freire há duas classes de cidadãos: os opressores e os oprimidos.  Ele defende que “É que o opressor sabe muito bem que esta “inserção critica” das massas oprimidas, na realidade opressora, em nada pode a ele interessar. O que lhe interessa, pelo contrário, é a permanência delas em seu estado de imersão”, ou seja ele expressa que os “opressores” preferem que os “oprimidos” continuem em um estado, digamos de inércia, sem ser um sujeito crítico, porque assim podem-nos manipular. Um pensamento razoável, geralmente citado até hoje por muitos educadores. Pois, um povo inculto é melhor de ser manipulado, que um mais informado. Ele também diz “A narração, de que o educador é o sujeito, conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. Mais ainda, a narração os transforma em “vasilhas”, em recipientes a serem “enchidos” pelo educador.” Para ele, essa educação é uma educação “bancária”. Entretanto, nos nossos dias, o tiro saiu pela culatra. Os estudantes principalmente nos primeiros anos do ensino fundamental, até o ensino médio, confundiram muito liberdade com libertinagem, fazendo da escola, um lugar violento e com conhecimento discutível. Uma vez que nem mesmo sabem tabuada, vão passando ano após ano como analfabetos funcionais.
Além disso o autor elogia comunistas como Fidel Castro, Che Guevara, Mao Tse-Tung, Lênin. Verdadeiro absurdo, mesmo para quem não é pedagogo de profissão, mas estudante por convicção. Homens assassinos e de pouco valor cultural são enaltecidos.  Escreve Freire "O que não expressou Guevara, talvez por sua humildade, é que foram exatamente esta humildade e a sua capacidade de amar que possibilitaram a sua ‘comunhão’ com o povo. (...). Este homem excepcional revelava uma profunda capacidade de amar e comunicar-se".  O autor via no guerrilheiro um exemplo de amor, no entanto “seu rosto estilizado tornou-se um símbolo contracultural de rebeldia e insígnia global na cultura popular” – Wikipédia.  Igualmente aterrorizante é a ideia sobre a revolução dentro da sala de aula "O sentido pedagógico, dialógico, da revolução, que a faz 'revolução cultural' também, tem de acompanhá-la em todas as suas fases", propôs Freire. Ou seja, não apenas no âmbito escolar, mas em todas as modalidades da sociedade. Ele coloca a ideia de uma ideologia, de uma pregação política em sala de aula, inculcando nos alunos uma rebeldia velada.
Desta forma, o autor coloca o Professor e aluno em pé de igualdade. Não fala que a educação é papel da família, mas sim como tarefa do professor e tendo como retaguarda o Estado.  Comenta o autor "As relações pais-filhos, nos lares, refletem, de modo geral, as condições objetivo-culturais da totalidade de que participam. E, se estas são condições autoritárias, rígidas, dominadoras, penetram nos lares que incrementam o clima da opressão", diz um trecho do livro. Ou seja, os pais é que são os primeiros opressores e depois qualquer  outro ambiente freqüentado pelos alunos. Ou seja, tudo é repressão, opressão e domínio.  Freire também fala de uma “invasão” e “coisificação” das massas.  “Este clima inexiste na invasão cultural que, alienante, amortece o ânimo criador dos invadidos e os deixa, enquanto não lutam contra ela, desesperançados e temerosos de correr o risco de aventurar-se, sem o que não há, criatividade autêntica. Por isto é que os invadidos, qualquer que seja o seu nível, dificilmente ultrapassam os modelos que lhes prescrevem os invasores.” Traduzindo: na opinião do autor, os alunos apenas “copiam” o que lhes foi ensinado e não objetam ou criticam por si mesmos, porque segundo ele, foram domesticados e invadidos pelos opressores.
Em suma, Paulo Freire ficou exilado por cinco anos. Voltou, conseguiu revolucionar toda uma dinâmica na educação. Talvez nos anos iniciais, essa teoria desenvolvida por ele tenha dado certo. Entretanto, como vimos e já discutimos em outros artigos anteriores, como a violência, a falta de interesse e a inércia dos alunos cresceu espantosamente, desde que esse método foi adotado. A autora deste artigo deveria teoricamente ficar neutra, mas diante da experiência em escolas públicas e diante do fracasso do ensino brasileiro, não há como posicionar-se favoravelmente diante desta pedagogia. Continuaremos no próximo artigo com a questão do retorno da militarização na escolas, proposto pelo Governador Ratinho Junior no Paraná

Raquel Pereira Bittencourt

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