10-12-2020 - ANUSSIM BRASIL
É um local de grande interesse turístico para os judeus de todas as partes do mundo, que vem em busca da milenar e fascinante tradição judaico-marroquina ou visitar os túmulos dos Tzadikim.
Marrocos localiza-se no norte da África e em árabe, significa "lugar onde o sol se põe".
Ao serem expulsos da Terra Santa por Tito em 70 E.C, os judeus se dispersaram pelo Mediterrâneo, e alguns se estabelecem no norte da África, na área que hoje é o Marrocos. Formaram comunidades judaicas marroquinas bem organizadas e autônomas, que mantinham contato com a Terra Santa.
Quando o cristianismo se torna a religião do Império Romano, os judeus tiveram seus direitos civis abolidos e suas sinagogas foram transformadas em igrejas. Muitos deixam as cidades litorâneas, refugiando-se entre os berberes, nas montanhas.
Por volta de 630, quando surgiu o Islã, os árabes dominaram todo o Norte da África e inúmeras comunidades judaicas foram totalmente arrasadas. Os berberes resistiram à invasão islâmica e um grande número de judeus se aliou a eles, juntos resistiram por algum tempo.
A presença muçulmana no Marrocos tornaram as condições de vida dos judeus mais sofridas do que os demais habitantes. Os judeus deviam obediência a uma série de leis, cujo rigor dependia do humor de cada governante e eram obrigados a pagar altos impostos para viver nas mellahs - bairros reservados aos judeus.
No século 9, o Sultão Idris II, permitiu aos judeus marroquinos de se estabelecerem na recém-construída capital. Fez, que se torna importante centro do judaísmo mundial. Mas a dinastia não consegue manter-se no poder e se dá início um período de dinastias curtas e instáveis desfavoráveis aos judeus. Os almóadas conquistam o Marrocos, e em seguida, causaram um século de intenso sofrimento para a comunidade judaica.
Entre a opção de conversão, a morte ou o exílio, milhares deixam o país, muitos escolhem a morte. A maioria, no entanto, para salvar a vida, aceita aparentemente o Islã, o que origina os criptojudeus, que haviam sido forçados a aceitar, na aparência, uma fé que não era a sua, fato que não os transformara, por si só, em não judeus. Com o passar do tempo, a situação dos judeus melhorou; em 1258, toma o poder uma nova dinastia berbere e os judeus entram em novo período de tranquilidade e prosperidade.
Com a instalação da Inquisição, levas de judeus deixaram a Espanha e migraram para o Marrocos. Ciente de seu talento, elevada cultura e vantagens que suas habilidades comerciais trariam para o reino, o Sultão abre-lhes as portas. Em seguida milhares de judeus de Portugal refugiaram-se no país que se tornou um porto seguro para os que escapavam da Inquisição, ansiosos por retornar ao judaísmo.
Fixaram-se no litoral Norte, onde criaram suas próprias comunidades e sinagogas, vivendo conforme suas tradições e costumes. Os judeus locais tratavam os refugiados ibéricos com desconfiança. Os sefaraditas falavam espanhol ou português, os toshavim judeu-árabe. Com o tempo os imigrantes assimilaram aspectos da cultura judaica local, criando uma nova síntese tipicamente marroquina, assim como um novo dialeto chamado de Haquitia.
Com talento para o comércio e contatos com toda a diáspora sefardi, os judeus ibéricos prosperaram e suas habilidades de negociadores e diplomatas foram usadas quando os portugueses chegaram ao litoral atlântico marroquino.
No século 17, para os europeus, os judeus eram praticamente os únicos intermediários entre o mundo islâmico e o europeu. No século 20, os judeus viraram bode expiatório em qualquer situação em que os muçulmanos discordassem das medidas adotadas pelos estrangeiros.
Em busca de um futuro melhor, a partir do século 19, inicia-se um intenso processo de emigração para a Europa, América do Sul, inclusive para a Amazônia, e para Eretz Israel.
O Protetorado francês, inicia-se formalmente em 1912 e provocou uma onda de violência contra os judeus de Fez. O Marrocos é modernizado, e com a urbanização é permitido aos judeus viver fora dos mellahs. Contudo graças à força da tradição rabínica marroquina, a comunidade judaica permaneceu unida.
Na Segunda Guerra Mundial o sultão recusa-se a aplicar as leis raciais e a autorizar a deportação dos judeus. Com o fim da Guerra e a criação do Estado de Israel, em 1948, a violência contra os judeus torna-se frequente, o que faz com que 67 mil emigrem para Israel, até 1956, ano em que o Marrocos se torna independente.
Protegidos pelo Rei, por volta de seis mil judeus vivem atualmente no Marrocos e continuam tendo importante papel na vida econômica e política do país. A maioria vive em Casablanca, porém há pequenas comunidades judaicas em Rabat, Marrakesh, Meknés, Tânger, Fez e Tetuan
O Marrocos tornou-se um local de grande interesse turístico para os judeus de todas as partes do mundo, que vem em busca da milenar e fascinante tradição judaico-marroquina ou visitar os túmulos dos Tzadikim, e lá invocar pelas bênçãos e orientações divinas - um costume de grande significado entre os judeus marroquinos, de todas as épocas
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