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SAMARITANOS - DESCENDENTES DE DUAS TRIBOS PERDIDAS

16-12-2020 - ANUSSIM BRASIL

Então caros irmãos, decidi me aventurar no campo da história e lhes trazer um pouco do que foi esse povo e do que atualmente representam. Porém devo salientar, no campo histórico é bastante problemática a comprovação da origem desse povo.

Dia desses escutando as explicações de nosso Rosh comentando sobre a Parashá da semana e observando o chat da Sinagoga Anussim Brasil, surgiu uma pessoa usando um nome em hebraico e questionando-o sobre alguns pontos abordados por Ele. Sempre procuro usar a terceira pessoa do plural , como aprendi na academia, ao fazer uma descrição, artigo ou dissertação sobre algum tema em especial. Mas neste usarei a primeira pessoa do singular “eu”. Nesse dia me intrigou muito as questões levantadas por esse indivíduo e nosso Rosh explicou as citadas questões e disse que talvez esta pessoa pertence-se aos “samaritanos”. Confesso que fiquei intrigada com  a descoberta de Shemuel e resolvi pesquisar e até mesmo conversar com alguns samaritanos se possível. Eu pensei que essas pessoas não existissem mais, porém para minha surpresa, ainda há alguns deles em Israel, no reino do Norte e também no Brasil (Amazonas). Então caros irmãos, decidi me aventurar no campo da história e lhes trazer um pouco do que foi esse povo e do que atualmente representam. Porém devo salientar, no campo histórico é bastante problemática a comprovação da origem desse povo. Portanto, nos baseamos no livro de Flávio Josefo “Antiguidades Judaicas”, nos Profetas e em livros que não fazem parte do cânone da Torah. No próximo artigo, pretendo continuar escrevendo sobre as mulheres heroínas e vilãs da Torah.
Pois bem, como dizia, é muito complicado historicamente falando, saber a origem desse povo. Em princípio havia uma unidade do Reino de Israel, no tempo de Salomão e Davi. Quando finalizaram estes reinados, houve uma divisão de território, ficando Israel repartida. Ao norte como Israel e tendo como capital Samaria (cujo status de capital foi dado pelo seu rei Onri) e ao Sul o Reino de Judá, tendo como Capital Jerusalém, cujo Rei era Asa. (I Reis 16:21:23). No livro de II Reis 17, o Eterno mostra-se indignado com Israel e se afastou e permitiu que o Rei da Assíria os dispersassem por todo o pais e  o rei trouxe pessoas de vários locais ali morar  em lugar dos Israelitas na Samaria. Cap. 17: 24-41, em especial um povo denominado Cutim, que vieram da cidade de Cuta e que veneravam a D_us e a outros deuses, estes em especial, são citados no livro de Flavio Josefo e no Talmud. Acredita-se que esses sejam os samaritanos remanescentes, pois devido a grande assimilação dos outros povos, acabaram por se tornarem os Cutim.  Como eram estrangeiros, pediram que mandassem ao povo, sacerdotes exilados para que os ensinassem sobre o D_us da terra, a qual iriam ocupar. Assim, adoravam seus deuses e ao Eterno ao mesmo tempo. Haviam também os naturais da terra, que ficaram pois eram necessários para cultivo dela. Os assírios não mandaram embora todos os habitantes israelitas, apenas os que lhes eram úteis, deixaram ficar. A partir daí teremos cultos parecidos entre o Reino do Norte e o Reino do Sul. Semelhantes, mas não iguais.
Segundo Flávio Josefo, algumas vezes os samaritanos se diziam amigos dos judeus (Reino do Sul) e algumas vezes negavam. Ou seja, se estivesse ocorrendo tudo bem com Judá, os samaritanos se achegavam, se tivesse algo errado, se afastavam. Um povo naquele período oportunista. É claro tem-se que ter um certo cuidado, na interpretação deste autor, uma vez que não pode-se afirmar, que os samaritanos da época, realmente reagiam desta forma. Portanto, não pode-se fazer juízo de valor. Apenas relata-se o que Flávio Josefo conta em sua obra. O autor também cita, que os samaritanos se consideravam (ou consideram) descendentes de José  (Efraim e Manassés seus filhos). Digamos que como os Ismaelitas, os Cutim são meio irmãos dos judeus. Entre o ano 640 e 609 mais ou menos, houve a reforma do Rei Josias no reino de Judá e que se extendeu até o Reino do Norte. Em II Reis 23:20, o Rei Josias quebra todos os deuses estranhos , inclusive em Samaria e determina que todos adorem ao Eterno. Queimando lugares altos, templos, postes e tudo que lembrasse outros deuses, inclusive queimando os sacerdotes (ossos humanos) em cima dos altares, profanando-os. No livro de II Crônicas 34:9, o cronista comenta que os samaritanos inclusive, contribuiram financeiramente para a restauração do primeiro templo. Voltando-se ao único D_us de Israel.  Após o reinado de Josias, algumas décadas após a conquista de Judá pelo Império babilônico, em mais ou menos 587 A.E.C, começa o exílio judeu imposto pelos babilônicos. Este reino é pior que o da Assíria, pois dispersa não somente os que estão ao norte, mas também aos que estão ao sul. Só são novamente libertos no reinado de Ciro o Persa em 538 A.E.C. (Esdras 1:11) Então o rei permite que os judeus voltassem para sua terra e permitiu a reconstrução do segundo templo. Nesse período começa uma certa animosidade entre Samaritanos e Judeus. Em Esdras 4:1, le-se que, os samaritanos ao saberem que o Templo estava sendo reestruturado, quiseram contruibuir novamente para a construção, entretanto não lhes deixaram e se revoltaram contra os judeus. Os judeus disseram que a ordem foi dada somente para judeus e não para outros povos. Portanto, os samaritanos embargaram a obra do Templo por muito tempo, mandando cartas ao Rei Artaxerxes, incluindo outros povos e atacando a moral judaica.  Então denigriram os judeus, fazendo com que o rei acreditasse na história que contaram, dizendo que estavam construindo o templo bem fortificado, porque pretendiam se rebelar contra os persas. Assim, conseguiram embargar a construção por oito anos.  O templo então foi reconstruido entre 515 a 520 A.E.C., que resistiu até o Império romano nos anos 70 d.E.C.
Então, devido a essas ideias controversas, não chegaram a acordo nenhum. Portanto, que os Samaritanos resolveram construir seu próprio templo, no monte Gerezim situado na Palestina.  O templo foi construído no período de Alexandre o Grande. Então o judeu Manassés, neto do sumo sacerdote eliashib, torna-se genro de Sambalate (governador de Samaria)  e vai para o Norte expulso por Neemias, por ter se casado com mulher de outro povo e assume o cargo de sacerdote. Assim, concretiza-se a rivalidade entre Jerusalém e Samaria. Também dizem que os Samaritanos recebiam de braços abertos, judeus que se rebelavam contra as leis de Jerusalém. Porém, o templo foi destruído em torno de 128 a.E.C  pelo governante  Macabeu João Hircano. Na atualidade os samaritanos habitam nas cidades de Holon em Tel Aviv e Nablus na Cisjordânia. Os que moram em Holon falam hebraico e os que moram em Nablus falam árabe.  Estima-se um número em 2019, no ultimo censo em 820 pessoas. Possuem uma Torá diferente da nossa, ignoram os profetas e escritos, rejeitam Jerusalém, não possuem rabinos, não aceitam o Talmud, rejeitam a Mishná. Casam-se entre si e alguns possuem problemas genéticos. Atualmente para evitar este problema, aceitam casamento com estrangeiras, desde que aceitem a religião samaritana. Fazem circuncisão de todos os bebes no oitavo dia e descansam no sábado. Eles têm seu próprio calendário e comemoram apenas algumas festividades. Chanucá e Purim estão fora do calendário. Nas datas sagradas sobem o monte gerizim vestidos de tunicas brancas.  “O rei Hussein da Jordânia comprou terras perto do Monte Gerizim, que entregou à comunidade samaritana, que as utilizou para construir uma aldeia de nome Kiryat Luza. Esta localidade é o centro espiritual da comunidade, encontrando-se nela a residência do sumo sacerdote” - wikipédia “samaritanos”. Finalizando, samaritanos são considerados judeus pelo Estado de Israel , mas não pelo rabinato de Israel. Hoje. Existem oito famílias com esposas ucranianas. Espero que se alguém como eu, ficou interessado em saber mais sobre esse povo,

 

Raquel Pereira Bittencourt

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