05-01-2021 - ANUSSIM BRASIL
A pior punição ao conhecimento prévio do destino seria nos ser negada a condição de sabermos, na sua totalidade, o nosso real valor como indivíduos e como pilotos das nossas próprias vidas. Como alguém que não foi desafiado a usar o seu potencial, para dar solução aos problemas repentinos da vida, pode conhecer o seu próprio valor?
Muitas vezes pensamos o que teria acontecido, caso se tivéssemos tomado uma decisão diferente de algumas daquelas que tomamos em algum momento do passado de nossas vidas. Ah, quantas possibilidades! Como teria sido a nossa vida, se tivéssemos escolhido, por exemplo, a carreira profissional “B”, em vez da “A”, a qual abraçamos em alguma ocasião pretérita e cujas consequências, boas ou más, ainda vivemos no momento presente? Ou quem sabe, como teria sido a nossa vida, caso tivéssemos escolhido outro bairro para morar, ou optado por outra empresa para dedicarmos o nosso trabalho? E se tivéssemos decidido ser um empresário(a), quando tivemos a chance de nos tornarmos um(a), como teria sido a nossa vida?
A mente divaga e as lembranças, caríssimas e amadas, nos aparecem aos borbotões, quando recordamos aqueles períodos das nossas vidas. Períodos aqueles nos quais vivíamos e fazíamos as nossas escolhas de vida, sem que soubéssemos onde as nossas decisões nos levariam. Bendita a nossa sorte de não termos tido a visão do futuro. Tal saber nos tiraria o prazer de termos sido os capitães da nau que é a nossa vida. Nau essa que pilotamos, a cada instante, e dentro da qual enfrentamos todas as adversidades que o mundo nos apresentou (e continua apresentando) sem aviso prévio. Mas se o resultado, antes de tudo acontecer, já fosse sabido por nós, seríamos privados do desenvolvimento de capacidades como o sangue frio e a criatividade em manobras de reorientação de rumo, quer estivéssemos em mar de almirante, quer nos vagalhões da mais imprevisível das tempestades. A previsibilidade nos levaria a decisões robóticas, sem traço de esforço, uma vez que o desfecho final já nos teria sido revelado.
A pior punição ao conhecimento prévio do destino seria nos ser negada a condição de sabermos, na sua totalidade, o nosso real valor como indivíduos e como pilotos das nossas próprias vidas. Como alguém que não foi desafiado a usar o seu potencial, para dar solução aos problemas repentinos da vida, pode conhecer o seu próprio valor? As revelações, quanto ao valor de uma pessoa, surgem quando esta consegue agir com rapidez e inteligência, tal qual o ímpeto de um vulcão criativo, para dar conta dos desafios, de forma a obter sucesso, ainda que esse não ocorra de imediato. Só assim podemos reconhecer o nosso valor próprio, adequado e bem merecido. Não há outro modo de nos sentirmos merecedores de autorrespeito, a não ser quando não temos a mínima ideia de como as nossas vidas vão se desenrolar. Portanto, não há que se falar em grandes arrependimentos. O que teria se passado se tivéssemos escolhido outro caminho, não está ao nosso alcance saber. Para nós, é suficiente termos a certeza de que fizemos o melhor que pudemos e desenvolvemos as nossas habilidades o máximo que conseguimos diante do desconhecido. Isso é digno.
Um ponto da maior importância é o saber sobre como se obtém o autorreconhecimento dos nossos valores individuais, assim como o reconhecimento da sociedade sobre tais valores. Temos a imensa obrigação de passarmos adiante para os nossos filhos amados tal saber. Cada ser humano nasce com habilidades individuais para desenvolver. Caso essas habilidades sejam postas em prática, bons e surpreendentes resultados sempre serão alcançados. Temos a obrigação de criar desafios, mas com amor, claro, que os façam desenvolver as suas capacidades, ao longo de cada etapa de suas vidas. Pais, por exemplo, que fazem tudo, o tempo todo, para os seus filhos, preparando as suas lancheiras, lhes arrumando o quarto e o guarda-roupas, ou mesmo deixando que todos os serviços da casa sejam executados sem a participação deles, não os ajudam em nada. Tais crianças estarão inclinadas a se tornarem adultos indolentes e dependentes daqueles que os cerquem. Tenderão a se transformarem em adultos controladores e manipuladores, manobrando todos que consigam, para receberem do mundo aquilo que obtinham nas casas de seus pais, se nada for feito para que esse quadro mude. Já os filhos ativos e participativos em casa, dividindo com seus pais e irmãos as tarefas domésticas, tenderão a se tornarem adultos, da mesma forma, ativos e participativos na sociedade onde viverem, do mesmo modo como participavam dos cuidados de suas casas. Essas habilidades são necessárias para que eles possam navegar, como bons capitães de suas naus, rumo a caminhos nunca antes explorados. Esse é o bom jogo da vida.
Baruch Hashem! Vamos em frente! Vamos pra cima! O destino de cada membro do Povo do Livro é o sucesso
Benyamin Zait
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