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O ETERNO OLHA NA PESSOA DESPREZADA

11-01-2021 - ANUSSIM BRASIL

A mulher é esposa, mãe, arrumadeira, chefe de cozinha, da à luz, mantém a casa em ordem, os filhos banhados, alimentos na hora, roupa lavada e passada, a noite é procurada para as intimidades. O que, que ela não faz?

O lar de Jacob, havia um contínuo tumulto, pois as suas duas esposas se digladiando, com qual delas ele dormiria aquela noite, e as concubinas esperando também, sua vez.  Entre os filhos um ciúme infernal: “Eu tenho mais direito que você, porque sou filho de Leah, a primeira esposa, o outro, eu sou o primogênito, tenho mais direitos que vocês todos”. E assim começa outro desentendimento, entre as mães.  Hein! “Não bate no meu filho, grita Zilpa” “O Jacob, da um jeito no teu filho Rubén, bate em todo mundo”.
Como era um lar dividido, filhos de diversas mães, as mulheres vendo o favoritismo de Jacob, embora Leah deu muito mais filhos a ele, ele amava mais a estéril Raquel. Mas Hashem olha pelos afligidos, desprezados, vilipendiados em seus direitos. Vamos nos ater um pouco mais nos sábios da Hebcar que comentam:  Mas as bênçãos de Leah não terminam aí: “E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe têm dado. Por isso chamou-o Levi” (Gn 29:34). Agora a esperança de Leah é que Ia´aqov esteja definitivamente junto a ela! Os filhos que Leah dá a Ia´aqov ainda não conseguiram trazer o amor dele para ela! Ainda há no coração de Ia´aqov a preferência por sua irmã Rahel! “E isso fica claro pelos nomes que Leah põe em seus filhos”. Dramática situação de uma esposa que anseia o amor, o respeito, a consideração, o valor, o carinho, a atenção. Muitas mulheres sofrem hoje neste estado de insensibilidade dos homens.
A mulher é esposa, mãe, arrumadeira, chefe de cozinha, da à luz, mantém a casa em ordem, os filhos banhados, alimentos na hora, roupa lavada e passada, a noite é procurada para as intimidades. O que, que ela não faz? Mesmo assim o marido a trata como uma bruaca qualquer, lhe diz palavras ofensivas que a desvaloriza, faz sua vida infeliz. E ainda diz que obedece a Torá, faz suas rezas e tem responsabilidades na congregação.  Continuando com a história de Leah: “O último, Levi, significa "junto", refletindo sua esperança de ter seu marido junto de si. Agora, já há uma mudança na postura de Leah, quanto à sua relação com seu marido: “E concebeu outra vez e deu à luz um filho, dizendo: Esta vez louvarei ao IHVH. “Por isso chamou-o Judá; e cessou de dar à luz” (Gn 29:35). Agora percebemos que na fala de Leah, há algo de diferente! Ela diz louvarei ao IHVH! A palavra "louvar" em hebraico é yadâ e significa confessar, louvar, dar graças, agradecer.
A palavra enfatiza “reconhecimento” e a “declaração de um fato” seja ele bom ou mau. Aqui Leah fala sobre seu reconhecimento de quem é o Eterno! Ela confessa, louva, dá graças, agradece ao IHVH (IHVH – Aquele que se torna aquilo que ela precisa) por mais este filho! O nome que a criança recebe é também muito sugestivo: Iehuda que significa louvor! Esta palavra vem da raiz yahad que significa tornar-se judeu.
Este filho prenuncia quem seria o povo escolhido do Eterno e também o seu nome! Temos algo interessante neste ponto, pois quando retiramos a letra dalet da palavra Iehuda, temos como resultado o tetragrama (IHVH); já o nome “dalet” em hebraico significa “porta”. Isso nos faz concluir que, Iehuda é a porta de acesso ao Eterno! É justamente por isso, que a frente será dito que o Mashiach virá da tribo de Iehuda, pois ele se tornará a porta de acesso ao IHVH!: Agora tem início uma nova fase na vida da família de Ia´aqov =(Jacob): “Vendo Rahel que não dava filhos a Ia´aqov, teve inveja de sua irmã, e disse a Ia´aqov: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Ia´aqov contra Rahel, e disse: Estou eu no lugar de Elohim, que te impediu o fruto de teu ventre?” (Gn 30:1-2). Aqui fica claro que Rahel pensa que o problema está na vontade de Ia´aqov em ter um filho através dela! No hebraico temos a seguinte ordem: “... dá-me filhos, ou senão estou morta eu”.
A tradição judaica diz o seguinte sobre isso: “Quatro pessoas consideram-se como mortas, nos disse o Rabi Samuel Bar Nahamani: o cego, o leproso, quem não tem filhos e o pobre. Os três primeiros vivem em constante sofrimento físico e moral, e o quarto é realmente como se não existisse (Yalcut 127). a´aqov lhe responde de maneira taxativa: “Estou eu no lugar de Elohim...” A palavra aqui é Elohim – O Criador. Ia´aqov sabia que humanamente nada poderia ser feito por Rahel, e caso não houvesse uma intervenção do Eterno sobre ela, seria impossível haver a concepção e a geração de filhos! Rahel então age de forma a tentar “ajudar” ao Eterno: ela dá a Ia´aqov sua serva Bilah, cujo nome significa “problemática”; em sua raiz temos balah que significa “problema” e também balahâ que significa terror, destruição. Ela foi escolhida por Rahel para que concebesse em seu lugar! “Assim lhe deu a Bilah, sua serva, por mulher; e Ia´aqov a possuiu” (Gn 30:4). Bilah aqui ocupa o lugar de Rahel na tenda deles como sua esposa! A criada tem o privilégio de coabitar com seu IHVH e desta relação nasce um filho: “Então disse Rahel: Julgou-me Elohim, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dan” (Gn 30:6). Rahel reconhece que está sendo “julgado” pelo Eterno com o nascimento deste filho, por isso seu nome é Dan, que significa juiz. E novamente Bilah faz às vezes de sua patroa e outra vez concebe. Desta vez é sob outra perspectiva que Rachel enxerga isso: “Então disse Rahel: Com lutas de Elohim tenho lutado com minha irmã; também venci; e chamou-lhe Naftali” (Gn 30:8). Aqui a palavra D-us é Elohim e demonstra que seu conflito com o Criador ainda não acabou! E o nome da criança é Naftali que significa "lutando.
O que podemos perceber que em tudo o Eterno age num lar tumultuado, em constante desavença, sai dos doze filhos de Jacob as doze tribos de Israel.
Continuamos no próximo artigo.
Yohanan Shaul.

Juan Pablo Leguizamon

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