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Encarnações e bullying

19-01-2021 - ANUSSIM BRASIL

Aposto que, igualmente, o meu avô, pai dele, passou por esse tipo de experiência, de fato, dolorosa. Devido a experiências por mim vividas e também a tantas observadas, sei que, deixando-se crianças de um grupo, por menor que seja, juntas, logo haverá uma ou mais dessas crianças submetendo outras a esse tratamento.

Aquilo que hoje se dá o nome de “bullying”, na minha época de criança, chamávamos de “encarnação”. Isso sempre existiu na relação entre crianças, sendo que o meu próprio pai me contava sobre ter sido ele vítima de tais ações por parte de seus amiguinhos. Aposto que, igualmente, o meu avô, pai dele, passou por esse tipo de experiência, de fato, dolorosa. Devido a experiências por mim vividas e também a tantas observadas, sei que, deixando-se crianças de um grupo, por menor que seja, juntas, logo haverá uma ou mais dessas crianças submetendo outras a esse tratamento. Será por acaso que atualmente se está referindo como maldade a esse tipo de ação entre aqueles tais amigos? Uma vez que serão eles a geração herdeira do mundo que, hoje, nos pertence por termos herdado dos nossos pais, por acaso seria essa forma de comportamento algo inerente ao comportamento humano? Seria, portanto, e de forma genérica, parte importante da formação moral e do reforço da personalidade da criança? Quando nos tornamos adultos, iremos querer ao nosso lado alguém que nos acompanhe por exemplo no trabalho, com força de vontade e de caráter, ou desejaremos estar com alguém que tenha ações frágeis e fracas? A fortaleza promove independência e a fraqueza produz a dependência e a necessidade de alguém que o ajude. O que preferimos?

Eu fui uma criança magrinha e dispunha de valores morais importantes que me foram entregues por meus pais e parentes. Eu sequer falava palavrões. Assim, sem saber, eu me apresentava como um ponto fora da curva comportamental entre aqueles meninos, tanto da vizinhança quanto da escola. Imagine um menino fraquinho fisicamente cujos modos e comportamentos não se adequavam aos dos outros meninos. Devido a isso, fui por muito tempo, vítima das então chamadas “encarnações”. Essas provocações me traziam muita raiva e muita vontade de revidar, de forma violenta contra eles. Mas eles eram bem mais fortes, então, o medo fazia o seu papel.

Já na adolescência, me sentindo mais autoconfiante, comecei a me impor, nem tanto por brigar muito, mas principalmente, por ter aprendido a discutir e a falar alto. Tive muito poucas brigas, na sua maioria batendo mais do que apanhando (sinto-me melhor lembrando disso assim). Por sorte, nenhum adulto interferiu em quaisquer dessas altercações e, assim, esses assuntos eram resolvidos e ajustados entre nós mesmos. Coisas de crianças que, no futuro, dividiriam o mesmo mundo.

Hoje, percebo a importância dessa maneira das crianças agirem e se educarem mutuamente. Acredito, sim, que esse tipo de formação, feita entre as próprias crianças, seja algo de grande valor e da maior importância. Depreendo que tal maneira de agir tenha sido algo que venha sendo desenvolvida ao longo de eras e se ajustando no decorrer das gerações. A maneira de discutir criada e aprendida na infância parece ser um modo desenvolvido nas pessoas, de maneira a resolver e equilibrar suas diferenças, sem a bestialidade das verdadeiras brigas violentas. Isso é crescer civilizadamente, a partir de provocações que, ao final das contas, se mostram inofensivas fisicamente, mas que reforçam o sentimento de valor próprio de cada um.

No entanto, longe de mim declarar que tudo são flores. É claro que há pessoas maldosas. Existem as crianças com mau instinto. São aquelas que, ao se tornarem adultas, serão os maus vizinhos, os maus colegas de trabalho, aqueles que puxam brigas onde quer que estejam. Esses tais eram aquelas crianças perversas que, agindo de forma maliciosa e, muitas vezes, premeditadamente, promoviam, ao invés do desenvolvimento, seu e dos seus colegas, a desagregação e a revolta dos mais fracos, muitas vezes calada. Por serem essas pessoas agressivas e perversas, em nada contribuem de forma positiva para o grupo ou para a sociedade da qual fazem parte. Em tais momentos da infância, o que realmente faz falta, é um adulto capaz, quer seja na posição de um pai, ou de um professor, ou de um psicólogo que, com ações e palavras firmes, seja capaz de salvar essa pessoa de se tornar um estorvo para a sociedade.

Baruch Hashem! Vamos em frente! Vamos pra cima! O destino de cada membro do Povo do Livro é o sucesso

Benyamin Zait

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