20-01-2021 - ANUSSIM BRASIL
O que podemos aprender com essa mulher? Que muitas vezes podemos ficar abatidos(as), achando que o Eterno não nos conhece e não nos ouve em nossas rezas, entretanto nesta bélissima história, cujo nome da mulher nem mesmo é citado, vemos que tudo o que temos a fazer é acreditar em D_us.
“E havia um homem de Zorá (Tzora) da família dos danitas (tribo de Dã) cujo nome era Manóa (manóach) e sua mulher era estéril, e não havia tido filhos” Juízes (Shoftim) 13:2.
Vamos então, dar continuidade as “biografias” das mulheres vilãs e heróinas dos nossos livros sagrados, nesse dos profetas primeiros (neviim rishonim). A última mulher conhecida que citamos foi Débora – a juiza. Uma mulher bastante conhecida por judeus e não judeus, entretanto temos uma em especial, que não é chamada pelo nome, senão de mulher de Manoa. Interessante analisar, que há várias anônimas dentro dos nossos escritos sagrados, mas algumas destacam-se pela presença do Eterno em suas vidas, mesmo que estas, nem mesmo tomem conhecimento. Para D_us ela era valorosa. A sua história é bem parecida com outras personagens femininas bíblicas, como Sarah, Rebeca, Ana, Isabel e assim por diante. Ela era uma mulher sem filhos. Naqueles tempos uma mulher considerada “estéril” era estar em pecado e portanto, seria como um “castigo” vindo de D_us. Eram julgadas e por isso sofriam muito. Não é como nos dias de hoje, que a mulher pode ou não querer ter filhos, embora o mandamento seja “crescei de multiplicai”. Algumas mulheres desde a minha geração até o presente momento, às vezes têm filhos e outras não (como opção) por razões de crescimento profissional, estabilidade financeira e outros fatores da vida moderna. Mas naquele período, a mulher praticamente era obrigada a ser mãe. E quando isso não acontecia, era menosprezada.
E então, um certo dia, um anjo do Eterno aparece para essa desconhecida e lhe diz saber que ela não tinha filhos, mas que terá um e lhe recomenda que não bebesse vinho , nem bebida forte e não ingerisse nada imundo. Também disse para nunca cortar os cabelos da criança e de pronto lhe diz, que será um menino e deverá ser “narizeu”, pois iria livrar Israel das mãos dos Filisteus. (13:5). Não havia ultrassom naquela época, nem havia tomografria ou qualquer aparelho que pudesse revelar o sexo da criança, mas o anjo do Eterno revela inclusive que seria um menino. Então vejamos , segundo a wikipedia – Narizeu “Em virtude desta consagração, o nazireu devia abster-se de tomar certos alimentos e bebidas fermentadas, de cortar o cabelo e tocar em cadáveres, além de não comer carne em muitas circunstâncias”. Então a mulher se dirigiu ao seu esposo e contou que um homem vindo da parte do Eterno, com aspecto impressionante, disse-lhe que ela teria um filho. Este ser não lhe disse seu nome e nem de onde era.
Após este fato, Manóa rogou a D_us (Juizes 13:8) “Oh Eterno, rogo-te que o homem de D_us que Tu me enviastes venha de novo a nós e nos explique o que deveremos fazer ao menino que há de nascer” e o Eterno novamente enviou seu anjo a mulher , quando ela estava sentada no campo, mas seu marido não estava junto com ela. Então ela se apressou e correu e lhe contou que o homem, que havia dito estas coisas, estava no campo. Manóa então seguiu sua mulher e foi encontrar ao anjo e este perguntou-lhe se ele era o marido da mulher, o qual respondeu afirmativamente. Disse ao anjo que se cumprisse o que foi predito e que gostaria de saber como seria a maneira de criar o menino e qual seria o serviço que dariam a ele. O anjo repetiu tudo o que havia dito a mulher e acrescentou que a criança não poderia comer uvas. Em nenhum momento houve dúvida por parte do casal. Acreditaram no que foi dito a eles e se colocaram prontamente ao que o Eterno ordenara: criar uma criança separada para servi-lo. Não se vê aqui em nenhum momento, Manóa questionando a vontade do Senhor e nem mesmo duvidando da fidelidade de sua esposa, ao contrário, convida ao homem do Eterno que fique e se alimente com eles. Mas ele disse-lhes que não poderia ficar, mas que eles fizessem um holocausto em honra ao Eterno. Manóa pergunta ao anjo do Eterno seu nome (porque não o via como anjo) e sim como um profeta ou um homem qualquer enviado de D_us para dar-lhes a notícia.
O anjo responde porque pergunta meu nome? pois não posso dizer-lhe, é oculto. (Juízes 13:19) Manóa pegou um cabrito, oferta da manjares e ofereceu ao Eterno em uma penha e o anjo fez maravilhas frente a Manóa e sua esposa. E subindo as chamas do altar, o anjo do Senhor ascendeu com a chama do altar até aos céus e o casal ao ver tal coisa, se prostaram e caíram em terra sobre seus rostos. Porém, o anjo do Senhor nunca mais apareceu a eles e Manóa temeu muito a D_us e ficou com medo de morrer, pois havia visto ao representante do Eterno, mas sua mulher lhe disse “Se o Eterno nos quisesse matar, não haveria aceitado nosso holocausto e a oferta de nossas mãos, nem nos haveria mostrado essas coisas, nem nos diria as coisas que nos disse” (13:23) E ela teve um filho e lhe chamou Sansão (Shimshón) e o menino cresceu, e o Eterno o abençoou. E o espírito de D_us o estimulava a ir de vez em quando aos campos de Dã.
O que podemos aprender com essa mulher? Que muitas vezes podemos ficar abatidos(as), achando que o Eterno não nos conhece e não nos ouve em nossas rezas, entretanto nesta bélissima história, cujo nome da mulher nem mesmo é citado, vemos que tudo o que temos a fazer é acreditar em D_us. Perseverar e não perder as esperanças. O Eterno nos conhece e sabe de tudo que almejamos para nossa vida e também sabe quanto somos tementes e obedientes em relação a Ele. Portanto, o Eterno dará a cada um , aquilo que lhes cabe de bons ou maus decretos. Tudo depende da nossa emuná, da capacidade de percebemos que Ele é quem determina a nossa vida e de que Ele é o nosso D_us verdadeiro. Tão poderoso e temível, que olha os corações tanto de homens e mulheres e não os descrimina, pois todos somos criação dEle. Todas as coisas lhes pertencem e são regidas por Ele. Shemá Israel, nosso D_us é um só.
PS: As citações feitas nos artigos, são retiradas de “La Bíblia” - hebreo-español – versão castellana conforme a tradição judia por Moisés Katznelson, Editorial Sinai, Tel-Aviv, Israel. Publicada em 1991 (Tradução livre da autora dos artigos).
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