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A BUSCA HARMONIA FAMILIAR E DESARRAIGAR (ARRANCAR) A HARMONIA.

24-05-2021 - ANUSSIM BRASIL

O favoritismo na família tem causado ciúmes, desentendimentos, porfias, emulações entre irmãos e irmãs na família, o que nós veremos o que aconteceu na família de Jacob. Gênesis 37: narra as situações de angustia que Jacob, seu filho José e toda a família sofreram.

A Torá nosso manual por excelência é indispensável conhecer, daí o que dizemos sempre, há necessidade de fazer algumas coisas essenciais e indispensáveis no manuseio das sagradas letras:
Primeiro: Ouvir, tudo o que lhe vier ao alcance sobre a Torá, áudios, comentários, mais sempre com um cuidado de filtrar, coar, peneirar, porque há muitas coisas que ouvimos que não têm fundamento, pessoas que sacrificam a verdade, outros a deturpam, agridem numa falta de respeito ao que é sagrado, divino.
Segundo: Ler, adquirir livros dos nossos sábios, há centenas e centenas de livros, sobre os mais diversos assuntos que dizem respeito ao comportamento, conduta, atitudes, as mais diversas orientandos, sugerindo através de comentários, interpretações, tratados de nossos sábios.
Terceiro: Estudar: é aprender, entender, compreender, examinar, analisar, observar, o que você lê, compara. Vez precisa ser isso repetido para poder haver entendimento.
Quarto: Meditar: é ponderar, matutar, pensar, em que isto implica na vida, tem algo prático para colocar em ação, tem alguma correção, indicar um rumo. Vez a pessoa ouve, lê, estuda até, mas não coloca nada em pratica, a meditação leva a pessoa a aplicar em sua vida o aprendido.
Quinto: Memorizar: David diz: “escondi a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti”. No Shema recitamos: “Estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração (Como? Memorizando!)  tu as inculcarás a teus filhos e delas falarás assentando em tua casa, e andando pelo teu caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te”.
Para poder haver memorização, com relação a história de Jacob, tanto Abraham, Isaque são verdadeiras bússola cuja história iluminam o caminho do viajor. Com a relação a desarmonia que reinou no lar de Jacob, um importante comentarista diz o seguinte: Bernardo Corrêa d’Almeida, “No seguimento da história dos seus antepassados, muito particularmente a de Abraão, Isaac e Jacob, a história de José (cf. Gn 37,2-50,26) é modelo de sabedoria na gestão do bem comum e da justiça entre irmãos, em vista da pedagógica reconciliação fraterna”. José é o homem providencial, a quem a Palavra do Senhor surge sempre como selo de verdade e de justiça, verificando assim o desejo maior de seu pai, a unidade dos seus filhos. Nesse sentido, destacam-se três dimensões fulcrais na história de José: a discórdia dos irmãos; José, o Pai e os irmãos; e a reconstrução da unidade da família.

A história de José e dos seus irmãos, ao jeito do sucedido nas histórias de Caim e Abel, e de Jacob e Esaú, começa em tensão e transforma-se em divisão. Na realidade, o ciclo de José inicia-se com as desavenças entre José e os seus irmãos. O texto descreve as motivações profundas dos irmãos para com o irmão mais novo, filho do mesmo pai (cf. Gn 37,1ss). De acordo com a compreensão dos irmãos de José, é o fato de o Pai preferir José, por ser o mais novo, e de este atentar ao poder, que provoca um crescendo de ódio dos irmãos para com ele, o qual vai terminar com uma tentativa de homicídio e com uma deliberada mentira apresentado a Jacob, pai de todos eles. O desejo de poder dos irmãos é expresso no texto pela túnica (cf. Gn 37,3.23). Contudo, como nos dirá a história presente no texto, o entendimento do Pai e de José acerca do poder distingue-se claramente em relação à compreensão que os demais irmãos assumem em relação ao poder.

Assim, o texto coloca-nos diante de uma percepção e de um julgamento diferenciados, pois, por um lado, o poder do pai e de José é o amor familiar entre irmãos e, por outro, o poder dos irmãos é o domínio de um sobre os outros. Nesse sentido, a discórdia entre os irmãos será uma oportunidade para que os mesmos revejam as suas motivações e se disponham a acolher o desejo do pai, que é a unidade dos irmãos. Por isso, como diz o texto, José era o amado do pai, por ser o menor (cf. Gn 37,3), o mais frágil, assim como será mais tarde Benjamim. Tanto assim é que o fato de José ser vendido será mais um episódio de um grande itinerário cognitivo, ou melhor, de conversão, que os seus irmãos serão chamados a fazer. Isso mesmo acontecerá com as várias sequências de releituras que os próprios irmãos farão do seu pecado, ao ponto de se lhes abrirem o entendimento e se disporem a acolher o poder do Pai e de José, que no essencial é a unidade da família.
Podemos destrinçar na história de José o seguinte tripé: o Pai, os irmãos e José. O desejo do Pai é a unidade dos seus filhos, ou melhor, que eles se amem como o Pai os ama, os irmãos pretendem o poder para que um possa dominar sobre os outros. José, que ama os irmãos com o amor do Pai, será um instrumento providencial de Deus que guiará os irmãos à conversão, ou seja, ao amor recíproco segundo o amor do Pai. Assim sendo, ao contrário daquilo que os irmãos desejam e invejam em José, o seu irmão mais novo alcançará o poder máximo neste mundo, igualando o próprio Faraó, não para que dominasse alguém, menos ainda para que pudesse dominar os seus irmãos, mas sim para reconduzir os irmãos ao amor recíproco segundo o desígnio do pai Jacob.

Nesse sentido, a grande missão de José é a de permitir aos seus irmãos que se libertem do pecado, isto é, do desejo de dominar o outro, e para isso é necessário que se convertam, ou seja, que tomem consciência da sua errada compreensão e se disponham a acolher o amor do Pai e do seu irmão José e assim se amem reciprocamente. “O caminho de conversão será marcado pela austeridade material e, sobretudo, pelo constante amor do Pai para com os filhos, particularmente os mais novos, e pela estratégia que José utiliza para que os seus irmãos, relendo a sua própria história, cheguem à conversão, ou seja, ao poder do pai e de José: o amor familiar entre irmãos como poder configurador da reconstrução da unidade familiar”. Estes exemplos de intriga e reconciliação é que hoje devemos de buscar em todas as áreas onde atuamos, como pais, filhos, chaverins da congregação. Líderes que atuam em nossas comunidades, lares harmoniosos produzirão, congregações e sinagogas vivendo em harmonia.

Yohanan Shaul.
Shalom.
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