Por favor, ajude Anussim Brasil: Doe Hoje!
+ Notícias

ENTERRO JUDEU E CREMAÇÃO

07-07-2021 - ANUSSIM BRASIL

Para nós Bnei Anussim, é um pouco complicado de cumprirmos as leis de sepultamento judaico, pelo simples fato de não termos cemitério próprio (Beit Haolam) ? Casa da Eternidade.

Nossa próxima heroína seria Ana, mãe de Samuel, porém nos chamou a atenção, o grande número de falecimento das pessoas, na pandemia de COVID-19. Por ser uma doença altamente contagiosa, muitas famílias optaram por cremar o corpo. Primeiramente para nós Bnei Anussim, é um pouco complicado de cumprirmos as leis de sepultamento judaico, pelo simples fato de não termos cemitério próprio (Beit Haolam) – Casa da Eternidade. Portanto, nossos membros atualmente são enterrados em cemitérios comuns. Entretanto, gostaríamos de enfatizar como seriam os rituais, caso pudéssemos e tivéssemos condições de fazê-los, para depois explorar a questão da cremação. Primeiramente, o corpo aloja a alma e deve ser muito bem limpo. Acredita-se que a alma estando abrigada no corpo, com o advento da morte, sente uma dolorosa separação do mesmo. Por isso, a lei mosaica proíbe a cremação. Sobre isso continuaremos mais tarde. Além disso a família entra em contato com a Chevra Kadisha – sociedade funerária, que prepara corpo. Além da limpeza (feita com álcool e não banho comum), estica-se os braços no corpo e não cruza-los, fecham-se os olhos, retiram-se os adornos (brincos, relógio, pulseira, anel, dentadura, óculos, esmalte, batom e outros) Finalmente cobre-se o corpo todo, com lençol branco de algodão ou linho. Caso a pessoa falecida seja do sexo masculino, coloca-se seu Talit por cima. Depois do corpo coberto, ninguém mais poderá vê-lo, nem filhos, nem parentes e nem amigos.
O caixão é feito de madeira simples, forrado com tecido preto e na parte superior é colocada a Estrela de Davi. Nada de coroas de flores, velas ou suntuosidade. Tudo deve ser muito simples, porque viemos do pó e para o pó voltaremos. O sepultamento deve ocorrer o mais breve possível, enquanto não há necessidade de se usar luz artificial.  De preferência no mesmo dia, não havendo guardamento, como alguns estão acostumados. A necessidade de mudança de horário do enterro, só é permitido nas seguintes ocasiões:  Se falecer em Yom Kipur (Dia do Perdão), que será realizado no dia seguinte. Ou se for sexta-feira à noite, início do Shabat, o enterro ocorrerá no anoitecer do sábado. Há também uma tolerância de adia-lo, caso se aguarde a chegada de parentes de outros locais distantes.  São feitas rezas em hebraico, por Rabino ou por membro da Chevra Kadisha, mas aceita-se que na ausência destes, outro integrante da comunidade conduza as orações.  Então faz-se um ritual chamado keriá – um pedaço da roupa dos enlutados é rasgada representando, que o coração dos parentes está dilacerado. Recita-se a benção Baruch Dayan Emet (Bendito seja o verdadeiro juiz).  Saindo do cemitério há um lavatório, onde lava-se as mãos (Netilat Iadaim). Os familiares voltando para casa sentam-se em shivá, permanecendo em casa, de luto por sete dias. Durante aquele período o Miniam reza as orações fúnebres (Kaddish). Após algum tempo ao visitar o tumulo, as pessoas não levam flores e sim pedras, em sinal de resignação com sua morte, como lembrança e respeito pela pessoa que ali está enterrada.
Sobre a cremação: A Halachá (Lei Judaica) exige que os mortos sejam enterrados na terra. (Código da Lei Judaica, Yoreh Deah 348:3; 362:1.) Caso o judeu o faça, não poderá ser enterrado no cemitério judaico, além de muitas leis de luto não serem observadas, para o indivíduo que foi cremado.  Geralmente o parente mais próximo, se responsabiliza pelo enterro da pessoa. Se alguém pedir para ser cremado, o que não está de acordo com a lei judaica, os filhos devem respeitar o desejo, caso tenham sabido disto, antes do falecimento. Entretanto, mesmo estando cremado, receberá orações e procedimentos de um enterro judaico. Ou seja, deverá ser de responsabilidade do falecido, ainda em vida, expor seu desejo em ser cremado, pois os filhos ou parentes, não têm permissão para fazê-lo. Nossos corpos não nos pertencem e sim a D_us. Portanto, não se pode cremar uma pessoa contra sua vontade.  Mesmo porquê, quando pessoas não são criadas dentro do judaísmo, não podem ser consideradas responsáveis por não saber, as observâncias. Por este motivo, decidimos em poucas palavras, deixar ao menos nossa comunidade ciente, sobre essas questões relevantes. Em Devarim 14, há uma ordenança em enterrar os mortos e de preferência no mesmo dia. O Talmud de Jerusalém nos adverte, que enterremos o corpo em sua totalidade. Na cremação, o corpo todo é destruído e não há carne para ser enterrada, violando a ordem na Torah. O nosso corpo é apenas emprestado e devemos cuidar bem dele, não destruindo-o de forma alguma. Quando formos chamados pelo Eterno, devemos devolve-lo como nos foi dado – a imagem e semelhança de D_us. Além de que, já escrevemos sobre isso, a proibição de tatuagens e de auto mutilação. Em algumas condições, a lei judaica não permite autópsias, com exceção de algumas circunstâncias, que não discutiremos aqui, por serem extensas. No holocausto algumas pessoas de boa índole, entregaram as cinzas dos fornos para os Rabinos procederem um enterro digno.  A honra é reservada as pessoas mais respeitadas da comunidade, para cuidar dos mortos.
Terminando nossa reflexão sobre assuntos tão complicados, a maioria dos judeus acredita em ressurreição dos mortos e são fundamentos na redenção do povo e da humanidade em geral, através de Mashiach. E essa esperança permeia a nação de Israel desde o exílio, com grandes perseguições, expulsões e antissemitismo.  Muitos judeus entraram na câmara de gás cantando “Ani Ma’amin” (Eu creio), confiantes em um tempo que seriam ressuscitados. Então, a cremação tão somente declara que a alma partiu do corpo e o corpo sem vida, não tem mais valor. Nossos sábios ensinam que, os que foram cremados não virão em seus corpos, mas em outros. (Mishná, tratado Sanhedrin 10:1.). Logicamente nossos mártires, não sofrerão tal castigo. Foram obrigados a aceitar morte tão torturante e degradante.  Olhando um pouco pelo lado místico (Cabalah) a alma não sai imediatamente do corpo, após o falecimento.  O normal é a decomposição gradual do corpo, permitindo que a alma parta lentamente para sua nova morada. Partindo deste pensamento, presumimos que cremar o corpo é transgredir a Torah, violando a responsabilidade de devolver o que nos foi emprestado. Uma rejeição da crença judaica, seguindo práticas profanas, desviando a história judaica, onde a nação ao mudar-se de lugar, traziam junto deles, os ossos dos que haviam partido. Enfim, cremos que um dia veremos aquele que nos fez, face a face e nunca mais derramaremos lágrimas, por àqueles que se foram. Baruch Hashem.

Raquel Pereira Bittencourt

+ Notícias