22-02-2022 - Anussim Brasil
Os filisteus marcham para o Vale de Elá, e trazem consigo um gigantesco guerreiro conhecido como Golias de Gat.
Longa foi a jornada desde a chegada de Moshe (Moisés) nas proximidades da Terra Prometida até o nascimento de David Melech (Rei David) e a captura da fortaleza que viria a ser a “Cidade de David”... a mesma que depois seria conhecida por todos como a eterna Jerusalém. O criador da Jerusalém Sagrada seria um pastor de rebanhos, músico, poeta, guerreiro, rei santo e aventureiro, repleto de qualidades e defeitos, mas sempre um “homem segundo o coração de DEUS”.
Por volta do ano 1.000 aec., após a morte de Moshe Rabeinu (Nosso Mestre Moisés), Yehoshua (Josué) era o novo líder do povo que havia deixado o Egito e que rumava para a “Terra Prometida”. Ele estabeleceu seu quartel-general em Shechem (Siquém), ao norte de Jerusalém, naquela época conhecida como Jebus (em razão de seus habitantes jebuseus), e construiu ali um santuário ao “DEUS ÚNICO”. Para que isto ocorresse, foi necessário derrotar o rei-sacerdote jebuseu Adonizedeque. Os “Bnei Yisrael” (Filhos de Israel) tornavam-se uma confederação de tribos governadas por anciãos. Em Jebus, o povo jebuseu foi poupado, e podiam conviver normalmente com o povo israelita. Pouco tempo depois surge um novo inimigo, os Filisteus, parte dos “Povos do Mar”, guerreiros que vinham do Egeu, adoradores de inúmeros deuses, e que conquistaram a costa de Canaã.
Em 1050 aec., no que ficou conhecido como a Batalha de Ebenézer, os israelitas foram massacrados pelos filisteus, que destruíram seu santuário em Shiló (Siló), capturando a “Arca da Aliança” (símbolo sagrado do povo israelita) e avançando pelas terras montanhosas em volta de Jebus.
Diante da iminente chegada do exército inimigo, e naquele momento já sendo governado por chefes militares carismáticos denominados Juízes, os israelitas decidem que precisam de um novo tipo de líder, e resolvem eleger um rei que tivesse a aprovação do “DEUS ÚNICO”. Buscaram então seu idoso profeta Shemuel (Samuel). Para os israelitas, neviim (profetas) não eram considerados adivinhos do futuro, mas analistas filósofo-sócio-político-religiosos do presente. Shemuel entende que o povo necessita de um comandante militar, e escolhe o jovem guerreiro Shaul (Saul), que governa à partir da cidadela de Tell-Al-Ful (Gibeão), situada no topo de um morro há 5km ao norte de Jebus. Shaul derrota os moabitas, edomitas e filisteus. Ainda assim o rei mostra-se mentalmente instável, e Shemuel busca imediatamente alguém que pudesse sucedê-lo no futuro, e que fosse capaz de governar com sabedoria e temor ao “DEUS ÚNICO”. É então quando escolhe dentre uma família israelita comum de pastores de rebanho em Belém, um jovem rapaz chamado David.
Os filisteus marcham para o Vale de Elá, e trazem consigo um gigantesco guerreiro conhecido como Golias de Gat. Shaul e seu exército temem a batalha, e David é avisado sobre o que ocorre no vale, e se direciona imediatamente para o local, onde derrota sozinho o grande guerreiro de Gat com uma funda (poderosa arma usada por guerreiros dos exércitos imperiais do mundo antigo, chamados fundibulários), decapitando-o logo em seguida. O restante do exército filisteu é perseguido pelos israelitas até Acaron.
É neste momento que o Faraó Merneptah, filho de Ramsés, o Grande, também enfrentando ataques dos “Povos do Mar”, dirige-se para Canaã a fim de restaurar a ordem, onde derrota os “Povos do Mar”, e afirma ter massacrado o povo de nome Israel, e que teria devastado e aniquilado sua semente (este é o primeiro registro histórico de Israel como nação). O Faraó não esperava que a maioria do povo israelita havia sobrevivido ao seu exército, e estes retornaram e incendiaram Jebus, retomando a cidade para si. Após romper com o insano Shaul, David obtém asilo com os sacerdotes de Nobe, os quais pouco tempo depois são mortos por Shaul em sua grande maioria. David consegue escapar e torna-se chefe fugitivo de 600 homens de sua confiança. David faz aliança com o rei filisteu de Gat, que lhe dá sua cidadela Ziclague. Os filisteus invadem o reino de Yehudá (Judá) e derrotam Shaul no Monte Gilboa. As tribos do sul de Yehudá ungem David como rei o qual elege Hevron (Hebron) como capital. Enquanto isso, o filho sobrevivente de Shaul, Isboset, governa as tribos ao norte. Ao fim da guerra de 7 anos, Isboset é assassinado, e as tribos do norte também ungem David como rei.
Jebus era localizada em Gibeão, ao sul do reduto de Shaul. David e seu exército marcham perante Jebus e se põe diante das fortificações de Giom. Ele consegue entrar em Jebus através do denominado Zinnor (espécie de aqueduto subterrâneo), e conquista-a. Daquele momento em diante, a cidade fortificada não mais seria chamada de Jebus, mas sim chamada “Cidade de David”. Os jebuseus mais uma vez foram poupados, David agregou-os à sua Corte e ao seu exército. Consertou os muros e ordenou que a recapturada “Arca da Aliança” fosse levada para a Cidade que agora levava seu nome.
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“JERUSALÉM, ENTRE O SAGRADO E O PROFANO” e toda sua história é a tônica desta coluna publicada semanalmente aqui no PORTAL ANUSSIM BRASIL. Te convidamos a toda terça-feira conferir esta coluna e conhecer um pouco mais sobre esta história repleta de fé, guerras e paixões que fazem e fizeram desta cidade a mais importante de todo o mundo, intrigante em todos os tempos.
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